4º O alargamento da Comissão Promotora à Freguesia de Santiago de Bougado

por José Maria Moreira da Silva 0

Depois de ter sido constituída, em S. Martinho de Bougado, a Comissão Promotora do Concelho da Trofa, desde logo foi reconhecido que era preciso alargar a Comissão às outras freguesias, começando, como é óbvio, pela Freguesia de Santiago de Bougado. Não foram fáceis as conversações, pois a rivalidade entre as duas freguesias sempre existiu. Era, e é, uma rivalidade já muito arreigada.

Foram meses de conversações. Mesmo sendo a autarquia gerida por autarcas também eleitos pelo Partido Socialista (a Assembleia de Freguesia por Augusto Vaz e Silva e a Junta de Freguesia por José Gregório Torres), as conversações foram um pouco complicadas, em virtude das exigências dos autarcas de Bougado que queriam um compromisso assinado pela Comissão Promotora, em que esta se comprometia, quando fosse criado o Concelho da Trofa, que alguns equipamentos ficassem em Santiago de Bougado.

Este compromisso era impossível, pois a Comissão só existiria até Trofa ser Concelho. Depois de ele ser criado, os protagonistas seriam outros, como se veio a verificar. Mas era uma exigência mais que justificada, pelo medo que as gentes de Bougado tinham, que S. Martinho de Bougado exercesse o centralismo e «secasse» as restantes freguesias. O que seria sempre negativo, pois a acontecer, não haveria um Concelho com equidade, que tanto se justificava e desejava.

As referidas conversações, entre os membros das duas autarquias, demoraram vários meses, até que, em meados de 1991, Santiago de Bougado decidiu, em Assembleia de Freguesia, aderir ao projeto. Foram eleitos para a Comissão 7 elementos, entre os membros da Assembleia de Freguesia, da Junta de Freguesia e da sociedade civil bougadense, que se juntaram aos 6 elementos de S. Martinho de Bougado. Os membros eleitos de Santiago de Bougado foram os seguintes: pela Junta de Freguesia: José Gregório Torres (Presidente) e Manuel Rodrigues da Silva (Secretário); pela Assembleia de Freguesia: Augusto Vaz e Silva (Presidente), António Sousa Pereira e Francisco Ferreira Lima (membros eleitos); pela sociedade civil bougadense: José Luís Reis e Adélio Pereira Serra.

A Comissão Promotora passou assim, a ser constituída por 13 elementos, representando as freguesias de S. Martinho de Bougado e Santiago de Bougado, que não poderiam por si só constituir um Concelho. Ainda faltava, para além da massa critica, a área geográfica e a realidade sociológica e histórica, comum às restantes freguesias do futuro concelho. Era preciso que aderissem!

De qualquer maneira, já estava dado um passo muito importante para o fortalecimento da Comissão, embora faltasse ainda muito trabalho para que o conjunto das restantes 6 freguesias se unisse ao projeto da criação do Concelho. Foi preciso «partir muita pedra», por isso o tempo de conversações foi longo, até porque alguns autarcas eram contra a criação do Concelho da Trofa. Felizmente as eleições autárquicas estavam marcadas para breve e o cenário poderia modificar-se, como veio a acontecer.

Na próxima Crónica será descrito o protocolo assinado pelos membros das freguesias de S. Martinho de Bougado e Santiago de Bougado, assim como a adesão de mais 3 freguesias (Guidões, Alvarelhos e Covelas).

José Maria Moreira da Silva

A liberdade é muito mais que uma simples escolha; ela alimenta os sonhos dos que não têm medo ou preguiça de sonhar. É a possibilidade de usar a razão, em concordância com o nosso pensamento.

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Comentários

  1. José Maria Moreira da Silva

    É mais um pequeno "naco" da história da criação do Concelho da Trofa.

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