Contas públicas da Trofa: alguém nos está a enganar

por João Mendes 0

A Direcção-Geral das Autarquias Locais (DGAL) refere, na Análise aos Documentos Previsionais do Município da Trofa para 2016, que as contas do concelho apresentam um desvio "acentuado" face à trajectória de ajustamento prevista do Plano de Ajustamento Financeiro aprovado no âmbito do Programa de Apoio à Economia Local (PAEL), o tal programa negociado pelo anterior executivo que permitiu ao actual, por exemplo, levar a cabo o autoproclamado milagre do pagamento de dívidas a fornecedores da autarquia.

A DGAL acrescenta que sobre as contas da autarquia pendem "elevados valores de dívidas e compromissos, bem como o incremento dos juros de mora e sobrestimação na previsão de receita", estimativa essa que inclui verbas decorrentes de comparticipação da União Europeia para projectos co-financiados. Portanto uma dívida preocupante, a que se juntam compromissos relacionados com pagamentos a fazer no futuro e o aumento de juros de mora, que colocam pressão adicional sobre as delicadas contas municipais. Como se tudo isto não fosse já suficientemente preocupante, acrescenta a DGAL que, trocado em miúdos, o executivo PSD/CDS-PP poderá estar a prever receitas que não corresponderão à realidade, nomeadamente no que diz respeito a projectos comunitários, algo que acaba por adulterar o cenário financeiro do municipio da Trofa. Para terem uma ideia, e usando uma crítica actual do PSD nacional ao governo de Portugal, o que o executivo da CM da Trofa está a fazer com a previsão da receita é mais ou menos a mesma coisa que o executivo de António Costa está a fazer com a previsão da receita da nação inscrita no Orçamento de Estado para 2016. A direrença é que, no caso do governo, a devolução de rendimentos às famílias poderá mesmo estimular a economia interna ao passo que, no caso da Trofa, tal variável simplesmente não existe.

Espero sinceramente que nada disto se venha a verificar, e que casos como o do Cinetrofa, que este executivo garantiu ter uma comparticipação na ordem do 85% mas que acabou por ser pago na totalidade pela autarquia, tal como aconteceu com a tão criticada Volta a Portugal, com a diferença que a Volta teve impacto positivo na imagem externa do concelho, não se repitam. É que não é isto que o poder político tem dito aos trofenses. Aquilo a que vamos assistindo, entre reuniões de câmara, assembleias e declarações à comunicação social vai no sentido inverso. Aquilo que o poder político local nos vem dizendo é que as contas do município estão muito bem e em melhoria contínua. Estará a DGAL a distorcer a realidade? Ou será que o executivo liderado por Sérgio Humberto nos está a enganar?

Imagem via Facebook Partido Socialista - Concelhia da Trofa

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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