Universidade da Beira Interior: a Trofa é o quinto pior município para se viver

por João Mendes 0

Há algumas semanas atrás, vários foram os nossos conterrâneos que partilharam nas redes sociais um artigo da VortexMag sobre um alegado ranking das 9 piores cidades/municípios para se viver em Portugal. Numa inesperada quinta posição podíamos encontrar o nosso concelho, algo que, apesar de ciente das insuficiências da nossa cidade, me levantou imediatamente um conjunto de dúvidas, até porque a publicação em causa me era desconhecida.

Decidi então contactar a VortexMag, por email:

Boa tarde,

Gostaria de vos questionar sobre o artigo em baixo, nomeadamente sobre:

1. Quem elaborou o ranking?

2. Quais foram os indicadores usados (o que surge na vossa página é um pouco vago)?

3. Como foram cruzados os dados?

Muito obrigado
João Mendes

Para meu espanto, a resposta chegaria uma hora mais tarde e a explicação não podia ser mais clara:

Boa noite João!

O ranking foi elaborado por investigadores da Universidade da Beira Interior com base nos dados dos censos de 2011 realizados pelo INE. Como deve saber, os censos são realizados apenas de 10 em 10 anos, pelo que não existem dados fiáveis mais recentes do que os de 2011.

Os investigadores da UBI cruzaram os dados do INE e tiveram em conta cerca de 40 factores com os quais elaboraram o ranking. No ranking por eles elaborado estão contabilizados tanto as cidades como as vilas. No entanto, no artigo em questão falamos apenas das cidades.

Pode consultar todo o estudo e ver todos os factores analisados, assim como a metodologia e as conclusões, abrindo o pdf constante no link: http://www.dge.ubi.pt/pmanso/qualidade%20vida%20concelhio%202012-pmanso.pdf

Com os meus melhores cumprimentos,
Fernando Alves

Trata-se, portanto, de um estudo académico, conduzido por investigadores credenciados e baseado em dados claros e objectivos. Um estudo que se baseia em números do Instituto Nacional de Estatísticas (INE) e em dados tão relevantes como o acesso à saúde, o emprego disponível e a qualidade de vida em geral dos habitantes das cidades/municípios portugueses, como a disponibilidade de espaços verdes ou áreas de lazer. Saliente-se que todos os dados remontam aos censos de 2011, reflectindo a situação do concelho da Trofa numa altura em que o mandato do executivo liderado por Joana Lima ia a meio.

O que terá mudado desde então? Pelo que podemos percepcionar à vista desarmada, a saúde continua na mesma, apesar das promessas de um novo centro de saúde que ainda não passaram disso mesmo, o emprego continua a ser um parente pobre, apesar das promessas de investimento privado que foram uma das bandeiras do actual executivo mas que ainda não são sequer visíveis e, no que toca ao lazer, temos a obra dos parques concluída e um grande evento dedicado aos mais jovens como é o caso do Be Live, mas a verdade é que um como outro servem essencialmente as populações da União de Freguesias de Bougado. E, no caso do Be Live, uma certa proposta de colocar os autocarros do município ao serviço das restantes freguesias podia resolver a questão. Mas, aparentemente, não há dinheiro. Algo que de resto não parece faltar no cartaz da Feira Anual da Trofa deste ano.  A qualidade de vida dos trofenses, essa, continua pelas ruas da amargura. Infelizmente.

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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