Movimento associativo na Trofa: as duas caras do executivo PSD/CDS-PP

por João Mendes 0

Num vídeo publicado no final de 2014, o executivo camarário afirmava, entre outras coisas, que "Ao movimento associativo dissemos que podiam contar connosco e assim tem sido". Mais de um ano passou e a realidade parece desmentir as palavras da equipa do presidente Sérgio Humberto. Assumo que, por não conhecer a totalidade das associações do concelho por dentro, não conhecendo os seus problemas a fundo ou os ganhos que acumularam ao longo destes mais de dois anos de governação da coligação PSD/CDS-PP, não me considero em condições para fazer uma análise objectiva sobre a realidade do associativismo na Trofa. Porém, trago-vos hoje dois exemplos que demonstram claramente que este executivo se tem regido por um sistema de dois pesos e duas medidas para relativamente a duas associações locais.

O primeiro exemplo é o Clube Slotcar da Trofa (CST), associação da qual faço parte, integrando a sua direcção. Nos últimos meses, sem grandes explicações por parte das entidades competentes e sem que se perceba a lógica por detrás de decisões que me parecem configurar um processo de perseguição política, o CST foi forçado a abandonar a zona lateral que separa a sua sede do edifício do Aquaplace, local onde, com a total concordância dos responsáveis directos pela mesma, haviam sido instalados bancos, mesas e uma televisão, tendo inclusive a CM da Trofa colocado um tapamento nessa zona que a protegesse da chuva para que as actividades do Clube pudessem decorrer com normalidade naquele local. A juntar a isto, o clube foi também forçado a abandonar uma zona de arrecadação no piso inferior do Aquaplace, destinado a guardar material e bens de consumo comercializados no seu bar, zona essa cujo acesso havia também sido autorizado pelas entidades competentes. Tudo somado, o CST vê hoje a sua actividade condicionada e prejudicada por aqueles que num passado não muito distante teciam rasgados elogios ao Clube, sem que tenha havido, da parte dos mesmos, qualquer intenção de diálogo. Só silêncio e cartas registadas de uma qualquer sociedade de advogados. Esta situação arrasta-se há meses e, parafraseando o vídeo de propaganda política anteriormente citado, não temos podido contar com eles.

Nos antípodas do caso do CST está a recém-formada associação Equestrian Events - Associação Equestre dos Templários, que apesar de existir há poucas semanas conseguiu já garantir a organização da Feira Anual da Trofa, no que a actividades equestres diz respeito. Reforçando o que já disse noutra ocasião, não quero, de forma alguma, colocar em causa o profissionalismo ou competência daqueles que constituem esta nova associação. Apenas estranho que, em tão pouco tempo, sejam já brindados com a organização de um dos maiores eventos do género no país, um dos ex-libris da nossa terra, cuja responsabilidade é enorme. Faço votos que sejam bem-sucedidos, desejo que se estende a todas as associações locais, mas não posso deixar de salientar este tratamento de excepção da parte dos mesmos que hoje dificultam a actividade do CST. Neste caso, e sem sombra de dúvidas, a coligação Unidos pela Trofa ter-lhes-á dito que podiam contar com eles e assim foi.

Temos portanto um poder político com duas caras no que ao associativismo diz respeito. Se por um lado foi tirado o tapete ao Clube Slotcar da Trofa, que desenvolveu dezenas de actividades ao longo de 2015 e centenas a longo dos seus quase 12 anos de existência, outros como a Equestrian Events tiveram sorte diferente. Faltará ao Clube Slotcar da Trofa algum tipo de alinhamento político? Porque deixou esta associação de poder contar com a CM da Trofa? Ainda não sabemos. O que sabemos é que as palavras do executivo camarário em 2014 mais não foram do que propaganda política. Tão simples quanto isto.

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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