Onde estão os 58.500,00€ gastos em publicidade para o Parque das Azenhas?

por João Mendes 0

É uma pergunta que me coloco com alguma frequência. A obra foi inaugurada pelo anterior executivo para inglês (e António José Seguro) ver, está longe de estar concluída, as cheias anuais exigem manutenção constante, as informações que nos chegam da parte das autoridades e responsáveis públicos são contraditórias e o risco de perda de fundos europeus é iminente. Uma obra que remonta aos executivos chefiados por Bernardino Vasconcelos e sobre a qual pende um enorme ponto de interrogação, com alguns trofenses a defender mesmo que se abandone este projecto.

E enquanto a obra não ata nem desata, ora avança um pouco mais na construção – e ela até parecia estar a avançar bem nos últimos meses – ora recua com a força das chuvas, perante um Rio Ave descontrolado, há algo que me faz muita confusão. Repare o caro leitor que, apesar do Parque das Azenhas estar ainda em construção, e não esquecendo as várias e violentas críticas feitas por inúmeros militantes e simpatizantes do PSD e do CDS-PP à inauguração eleitoralista que marcou o final do mandato de Joana Lima, das quais partilho, tendo feito questão de deixar isso muito claro em Setembro de 2013 (ver aqui e aqui), a poucos meses das eleições que colocaram a coligação Unidos pela Trofa no poder, a verdade é que a obra continua longe de concluída mas a torneira do dinheiro público teima em não fechar.

Aquilo que me causa confusão são dois ajustes directos levados a cabo pelo executivo liderado por Sérgio Humberto no âmbito da publicidade ao Parque das Azenhas. O primeiro deles, porventura o menos estranho, é um ajuste directo já aqui referido que teve como adjudicatária a empresa da antiga designer do Correio da Trofa e do Cinetrofa, que de resto já levou para casa um outro ajuste directo, também para publicidade, no valor de 32.353,92€. Trata-se de um contracto no valor de 33.702,00€ (IVA incluído) que diz respeito à “AQUISIÇÃO DE SERVIÇOS DE PUBLICIDADE E DIVULGAÇÃO DO PARQUE DAS AZENHAS (DESDOBRÁVEL INFORMATIVO, LIVRO FAUNA E FLORA, EXPOSIÇÃO PERMANENTE – ÁGUA E BIODIVERSIDADE, FILMES – ADULTOS E CRIANÇAS, CONCEÇÃO E PRODUÇÃO DE OUTDOORS)”, assinado a 12 de Dezembro de 2014 e cujo prazo de execução, não especificado no contrato, deixa no ar algumas perguntas: estará esta adjudicação pendente? E se está pendente, o que aguarda? A conclusão da obra? E se aguardar a conclusão da obra, porque motivo foi assinado há mais de um ano? Haveria alguma disposição legal que a tal obrigasse? Não sabemos, a elite dirigente não fala sobre ajustes directos quando nos mete desdobráveis catitas nas caixas do correio.

O segundo ajuste directo, porém, coloca-me perante várias dúvidas. Trata-se de um contrato assinado pelo actual executivo com a empresa Canal 5 – Radiodifusão e Gestão de Meios Publicitários, Lda., assinado a 17 de Dezembro de 2014 (5 dias depois do contrato mencionado anteriormente), no valor de 24.858,30€ (IVA incluído). O âmbito do contrato, pode ler-se na plataforma BASE, diz respeito à “AQUISIÇÃO DE SERVIÇOS DE PUBLICIDADE DO PARQUE DAS AZENHAS (ANÚNCIOS NA COMUNICAÇÃO SOCIAL, MUPPIS, CARTAZES E FLYERS)” e tinha um prazo de execução até 31 de Dezembro… de 2014! Às questões colocadas anteriormente em relação ao ajuste directo em cima, importa acrescentar algumas: o prazo de execução foi alargado? Se sim, até quando? Se não onde estão esses muppis, cartazes e flyers? Quando e em que rádios passou a publicidade ao Parque das Azenhas. Qual o seu conteúdo? O valor já foi pago? Caso a obra aborte – esperemos que não mas convém não descartar cenários – quem paga estes mais de 58 mil euros adjudicados para publicidade para uma obra que nem terminada está? Muitas questões, poucas respostas, como nos temos vindo habituando quando o assunto são ajustes directos. Bons velhos tempos em que a JSD Trofa fazia belos vídeos a questionar os ajustes directos do anterior executivo, que tantos dos seus companheiros, alguns hoje no poder, alegremente partilhavam no Facebook. Hoje, da parte de uns e outros, só silêncio. Silêncio com uma leitura política na minha opinião muito clara. Mas não faz mal. Nós por cá continuamos a não andar ao sabor das eleições. E vamos continuar a questionar. 

P.S. As questões aqui elencadas foram enviadas para o email institucional do presidente da CM da Trofa, Sérgio Humberto, responsável pela tutela da obra do Parque das Azenhas.

Foto: O Notícias da Trofa

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

Comentários

Deixar um comentário

Faça Login para comentar.