2. A primeira omissão grave da Comissão Instaladora do Concelho da Trofa

por José Maria Moreira da Silva 0

Foi no dia 22 de janeiro de 1999 que a Comissão Instaladora do Concelho da Trofa tomou posse, no Salão Nobre do Governo Civil do Porto. O ato foi presidido pelo Secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, José Augusto de Carvalho, do governo de António Guterres. A promulgação da criação do Concelho, em Diário da República, foi feita pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, um acérrimo militante contra a criação de novos Concelhos, como mais tarde demonstrou ao vetar politicamente a criação dos Concelhos de Canas de Senhorim e Fátima, depois de terem sido aprovados na Assembleia da República. Até hoje, não houve mais nenhum novo Concelho. E eram muitas as Petições!

Na sessão oficial da entrega da «carta de alforria» ao Concelho da Trofa marcaram presença, para além do Governador Civil do Porto e alguns Presidentes de Câmara do distrito e deputados eleitos pelo círculo do Porto, os membros da Comissão Promotora do Concelho da Trofa e muitos trofenses.

No discurso de tomada de posse, como Presidente da Comissão Instaladora do Concelho da Trofa, Bernardino Vasconcelos leu um discurso em que apelava ao Governo os meios para o exercício das suas funções; à C. M. de Santo Tirso um bom entendimento baseado nos princípios de boa vizinhança e a procura de soluções que servissem os interesses das populações envolvidas no processo; aos trofenses pediu paciência e compreensão nos primeiros tempos, mas também toda a exigência para com os empossados.

Infelizmente, pouco ou nada disto aconteceu! O governo «esqueceu-se» do novo Concelho e nada fez a não ser enviar as verbas que eram devidas ao Concelho da Trofa por direito próprio, por força da lei. A Câmara Municipal de Santo Tirso boicotou tudo que era para a Trofa, e ainda hoje continua a fazer boicote (veja-se o caso dos projetos de construção e da delimitação das fronteiras). Quanto ao pedido feito aos trofenses, a paciência e a exigência, o que se constatou foi que a paciência foi dada, e ainda hoje continua a ser dada, mas os trofenses «esqueceram-se» da parte em que lhes foi solicitada a exigência. O «trofismo» acabou e com ele o grau de exigência tem vindo a diminuir, chegando quase ao nível zero, nos dias de hoje.

Ah! É verdade. No discurso de tomada de posse, não foi mencionada a Comissão Promotora do Concelho da Trofa, os «verdadeiros» pais do Concelho da Trofa. Nem sequer uma palavra de reconhecimento pelo excelente trabalho desenvolvido ao longo de muitos anos, que originou a criação do Concelho. Foi uma enorme ingratidão, que não é típica das gentes da Trofa, pois a ingratidão é sempre uma forma de fraqueza.

Não foi esquecimento! Foi propositado, pois foi dito pessoalmente, que era tempo de acabar com o «protagonismo» da Comissão Promotora do Concelho da Trofa, que nunca os seus membros quiseram, ou fizeram para o ter; sempre disseram que mal fosse promulgado o Concelho da Trofa, em Diário da República, a Comissão Promotora se extinguiria e findava a sua missão. E assim aconteceu!

Começou muito mal o mais novel Concelho do país. O Concelho da Trofa começou com uma omissão grave propositada; começou com um péssimo exemplo de ingratidão, que provoca uma dor que dói no coração. A Trofa e os trofenses não mereciam esta atitude!

José Maria Moreira da Silva

A liberdade é muito mais que uma simples escolha; ela alimenta os sonhos dos que não têm medo ou preguiça de sonhar. É a possibilidade de usar a razão, em concordância com o nosso pensamento.

Quero aproveitar este espaço de liberdade, para ser livremente livre naquilo que penso e escrevo, sem qualquer tipo de medos ou amarras.

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