Deixem o Clube Slotcar da Trofa trabalhar

por João Mendes 0

Nota Introdutória: juntamente com 18 jovens dedicados, empenhados e apaixonados por aquilo que fazem sem nunca pedirem nada em troca, tenho a honra e o privilégio de integrar a direcção do Clube Slotcar da Trofa. Esta é a minha declaração de interesses na qual quero deixar claro que não pretendo ser imparcial na análise que se segue. Escrevo apenas como cidadão trofense de pleno direito e a minha opinião não vincula nenhum dos meus amigos e colegas da colectividade: considero que o Clube Slotcar da Trofa está a ser perseguido por pessoas com as mais altas responsabilidades políticas neste concelho. Desconheço o motivo.

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Para aqueles que não sabem, o Clube Slotcar da Trofa foi recentemente confrontado com uma decisão da Comissão Liquidatária da Trofa-Park, no sentido de nos expulsar da zona lateral e contígua ao Aquaplace, bem como de uma arrecadação no piso inferior da academia que, estando desocupada, era por nós usada para armazenar stocks do bar que exploramos e alguns objectos que usamos nas mais variadas actividades associativas. Apesar de a utilização destes espaços não estar plasmada em contrato, a verdade é que foram os responsáveis do Aquaplace, em conjunto com representantes do poder político local, quem nos autorizou a utilizar estes espaços, até porque de outra forma não teríamos acesso aos mesmos.

De modo a optimizar a utilização do espaço, e na sequência de um pedido da associação, o executivo camarário em funções decidiu colocar um tapamento na referida zona, sendo que o Clube equipou a mesma com sofás, mesas, uma televisão e dois aquecedores cogumelo para criar uma zona que, sendo usada por nós, estava à disponibilidade de todos aqueles que, estando por exemplo à espera dos filhos em actividades no Aquaplace, poderiam usufruir do espaço sem que para tal tivessem que fazer qualquer consumo.

A referida decisão foi recebida no seio da colectividade com muita estranheza, não só pela forma como a colaboração com a CMT ia acontecendo mas também em função dos rasgados elogios tecidos pelo autarca Sérgio Humberto à actividade da colectividade. De um momento para o outro, sem motivo aparente, o poder político – a Comissão Liquidatária da Trofa-Park é composta por elementos da CMT – decidiu vedar-nos aqueles espaços, que não utiliza, condicionando de forma grave o normal desenrolar das nossas actividades, prejudicando mesmo algumas já programadas, que de resto eram do conhecimento da autarquia.

Mas, voltemos atrás no tempo, mais concretamente aos meses que antecederam as Autárquicas de 2013. Durante a corrida eleitoral para a Câmara Municipal da Trofa, o associativismo foi uma das grandes bandeiras do presidente Sérgio Humberto. A esse propósito, o programa eleitoral da coligação Unidos pela Trofa era muito claro e objectivo. Ficam aqui alguns destaques que poderão consultar, juntamente com o restante programa eleitoral, seguindo este link para a página web da coligação:

O associativismo é um dos principais factores da grandeza do nosso concelho e a evidência do empenho e participação na comunidade das forças vivas do concelho. O trabalho diário e voluntário de milhares de trofenses nesta área muito enriquece a Trofa. Cabe à Câmara Municipal, não só estimular a actividade associativa como também proporcionar as devidas condições para que as associações possam desenvolver condignamente o seu trabalho, substituindo-se em muitas vezes aos próprios organismos públicos, com claros ganhos para todos, a curto, médio e longo prazo. Apoiar as associações e coletividades desportivas, culturais e recreativas através da elaboração de contratos programa que permitam apoiar o movimento associativo e colocar as suas atividades / iniciativas ao serviço do concelho. Pretende-se que as associações retribuam à comunidade os subsídios recebidos. Hoje, mais do que nunca, nenhum organismo público pode atribuir subsídios apenas por atribuir. A comunidade deverá percepcionar o resultado do apoio concedido.

A base da nossa política para o movimento associativo será na base do diálogo, do apoio ao fomento do associativismo no nosso concelho e do financiamento com contrapartidas para a comunidade.

Dar prioridade às actividades das associações nos diversos momentos colectivos do concelho.

 Apoiar a divulgação das suas iniciativas.

Perante estas palavras, que agora me parecem valer perto de rigorosamente nada, pelo menos no que ao Clube Slotcar da Trofa diz respeito, gostava de fazer alguns comentários, que endereço ao nosso autarca em absoluto silêncio sobre este problema:

Sim senhor presidente, nós integramos essa força viva que é o associativismo, somos factor de grandeza para o nosso concelho e uma demonstração de empenho e participação na comunidade. Existe trabalho diário, que envolve dezenas de pessoas e que enriquece a Trofa das mais variadas formas. Se cabe à autarquia por si presidida “estimular a actividade associativa” e “proporcionar as devidas condições” para desenvolvermos o nosso trabalho, qual o motivo que vos leva agora a tentar cortar-nos as pernas, vedando-nos um espaço do qual os senhores não fazem qualquer uso?

Sim senhor presidente, não raras vezes substituímo-nos aos organismos públicos com ganhos claros para todos, proporcionando lazer e actividades desportivas para os jovens, levando a cabo acções de solidariedade que ajudaram e continuarão a ajudar quem mais precisa, promovendo a cultura e representando as cores e o brasão da Trofa ao mais alto nível local, nacional e internacional. 

Sim senhor presidente, nós assinamos um contrato-programa com a CM da Trofa, no montante de 5 mil euros, a quem apresentamos um plano anual de acção que as decisões agora tomadas pela autarquia parecem querem boicotar. Que raio de apoio é este?

Sim senhor presidente, o Clube Slotcar da Trofa retribuiu os subsídios recebidos à comunidade, investindo do nosso bolso bem mais do que aquilo que os senhores nos deram sem pedir nada em troca e concentrando tudo em actividades abertas à comunidade. Se os senhores atribuem subsídios a quem não devem ou a quem não os sabe gerir, tal não nos diz respeito porque nós somos rigorosos e um livro aberto para a comunidade. E a comunidade, pelo menos uma parte significativa dela, reconhece e percepciona aquilo que fazemos.

Não senhor presidente, a vossa política para o movimento associativo não está a ser feita com base no diálogo, pelo menos no que ao Clube Slotcar da Trofa diz respeito. Se assim fosse, em vez de uma carta de um advogado, teríamos recebido uma convocatória para nos reunirmos e discutirmos estas matérias olhos-nos-olhos.

Não senhor presidente, o seu executivo não deu, ao longo do último ano, qualquer tipo de prioridade às nossas actividades. Limitou-se a aparecer quando o Secretário de Estado do Desporto e Juventude, do seu partido, em conjunto com as mais altas individualidades do IPDJ nos honraram com a sua visita, distinguindo eles o que o senhor e o seu executivo parecem incapazes de distinguir.

Não senhor presidente, o senhor e o seu executivo limitaram-se a divulgar uma única actividade entre dezenas que o Clube Slotcar da Trofa desenvolveu durante o ano de 2015. A foram muitas senhor presidente, muitas e bem-sucedidas.

Afinal de contas senhor presidente, o que vale o capítulo sobre o associativismo no seu programa? Nada?

Para finalizar, quero deixar uma nota muito franca e sem qualquer tipo de ironia. Uma nota para dizer que não coloco sequer a hipótese de que tudo isto esteja a acontecer como retaliação pelo livre exercício da liberdade de expressão de alguns membros desta colectividade, lote no qual obviamente me incluo, exercício esse que é feito de forma pessoal e nunca enquanto dirigente associativo. Até porque, se essa hipótese altamente improvável se mostrasse real, tal significaria apenas que os responsáveis por esta decisão não tem categoria, dignidade ou carácter para exercer as funções que exercem. Nada mais seriam que imbecis e ressabiados. Mera escumalha vingativa e, diga-se, bastante perigosa. E a Trofa não precisa de gente assim. Talvez um país terceiro-mundista mas a Trofa, estou absolutamente convicto, não precisa. 

Façam o favor de fazer o vosso trabalho e deixem-nos fazer o nosso. Nós queremos trabalhar!

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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