Parar, para refletir a Trofa…

por João Pedro Costa 0

A passagem de mais um aniversário, o 17º sobre a criação do concelho da Trofa, merece uma pausa para refletir sobre o estado de desgraça que esta nova condição trouxe à vida dos trofenses. Poucas obras públicas, em comparação com os concelhos vizinhos, com a agravante de termos passado a suportar impostos no máximo, só por sermos trofenses…!

Enquanto criança e jovem habituei-me a ver uma Trofa bairrista, com o “inimigo” Santo Tirso sempre presente, impulsionado por um movimento associativo onde as pessoas expressavam as suas ideias, e uma admirável irreverência fazia o ADN do trofense. No futebol, lutava-se ano após ano por “pequenas” grandes vitórias, com episódios rocambolescos de uma rivalidade perdida; na religião, lançou-se a primeira pedra de uma obra de enormes proporções, de nome “Igreja Nova”, onde os fiéis disseram sim a um esforço coletivo; nos bombeiros, o empenho e a generosidade fez crescer um dos melhores e maiores quartéis de Portugal. A Trofa estava na genesis de tudo, graças à dinâmica e ao engenho dos seus habitantes, que ultrapassavam fluentemente Santo Tirso em tudo o que era inovação. Lembro-me das rádios locais (Rádio Trofa e Rádio Alto Vale) que criavam um elo entre os trofenses, ou a TDM (Televisão Douro e Minho) que logo fez nascer a TIT (Televisão Independente da Trofa). Era assim a vida dos trofenses, com pouco se fazia muito!

Joaquim Couto (o mesmo que agora regressou à presidência da Câmara Municipal de Santo Tirso) era o rosto que “forçava” a união dos trofenses, com permanentes ecos na Trofa de que, “pagávamos impostos e as benfeitorias ficavam todas em Santo Tirso”.

A força empresarial da Trofa era de facto muita o que, a juntar a este arraial fervoroso de movimento associativo, anunciavam tempos de mudança. Tudo em que os trofenses se “metiam” dava sucesso, e não foi diferente na teima de querer ser concelho e assim obter a autonomia administrativa. Dia 19 de novembro de 1998 – estava criado o Município da Trofa. O anúncio tinha sido feito “porta à porta” de um novo ideário de autonomia para melhoria da condição de vida de todos, comandada pela primeira fornada de Homens que se dedicavam a pensar o futuro da nossa terra – fazendo nascer uma nova classe na Trofa, a classe dos políticos!

O sonho terminou e o pesadelo começou, para esta grande aldeia de 39.000 habitantes …

A Trofa ficou entregue a uma classe política que se sentia enobrecida com a chegada ao poder, cuja competência, sabe-se hoje, era diminuta atestada pelo adiamento de projetos estruturais, como foi o caso da construção dos Paços do Concelho (obra financiada em um milhão de euros), que relegou o conceito ORGANIZAÇÃO para segundo plano, sucumbindo a interesses que se foram instalando e que fizeram do aluguer o “prato preferido” - a famosa casa do presidente (pólo1), o centro comercial Nova Trofa (pólo2), o centro comercial da vinha, as lojas da “Trofaguas”, o espaço do Julgado de Paz, pavilhões e mais pavilhões … Situação que ainda hoje se mantém, por falta de coragem de políticos que teimam em espremer a Trofa até ao tutano, adiando a rutura com o passado e os interesses instalados que minaram e minam os interesses dos trofenses.

Brotaram as empresas municipais, criaram-se postos de trabalho de forma desestruturada, sobraram festas e foguetes que rebentaram no final do mandato de Bernardino Vasconcelos, pela passagem do 11º aniversário da criação do concelho onde já eramos devedores de 60 milhões de euros! Perdemos autonomia, adormeceram os sonhos e ficamos sobre o castigo da austeridade, mercê da adesão à “tábua de salvação” o PAEL (Programa de Apoio à Economia Local), negociado pelo executivo de Joana Lima, na reta final do seu mandato, e que deixou a endividada Trofa a usufruir novamente de equilíbrio financeiro, com suaves prestações a 15 anos, a que acresceu a obrigação de “caçar” impostos aos trofenses pela taxa máxima. Passou a jorrar novamente dinheiro na Trofa! Viva, grita o povo.

Para que a desgraça fosse ainda maior, na atualidade, as estruturas políticas que governam o Município da Trofa abrem feridas que parecem insanáveis no jovem concelho, com o afastamento das freguesias (pessoas) mais periféricas à sede, em particular dos mais jovens, perdendo-se a pouca identidade que até então existia. Atualmente a freguesia do Coronado tem mais motivos para se queixar da Trofa do que a Trofa tinha quando “exigiu” a autonomia a Santo Tirso – VALE A PENA PENSAR NISTO…

Porque o tempo é de festa, não quero deixar ninguém deprimido, vamos festejar o nosso feriado de 19 de novembro, “bora” lá, todos a delirar com “os Mickael Carreiras”. A festa continua…

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