Sérgio Humberto e a estratégia do medo

por João Mendes 0

Assinalou-se no passado dia 10 de Outubro o 39º aniversário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Trofa. Para além do apreço e estima que nutro por uma instituição da importância da AHBVT, o dia do seu aniversário é sempre um dia muito simpático para quem, como eu, mora nas imediações do quartel e pode assistir de camarote ao desfile dos seus operacionais e veículos ao som do rufar dos tambores da fanfarra. 

Infelizmente, há quem se aproveite de tais datas para fazer propaganda política, regra geral de muito mau gosto. Foi o caso do presidente da Câmara Municipal da Trofa que, não só enveredou por esse caminho, como ainda fez eco da estratégia da instigação do medo, que por estes dias tem sido o prato do dia no refeitório da coligação PSD/CDS-PP que ainda não se conformou com o papel minoritário que resultou da eleição do passado dia 4. Mas tudo a seu tempo: não há sapo que não se engula.

Voltando ao autarca, o seu discurso na sessão solene no Salão Nobre da AHBVT teve uma particularidade digna de registo. A propósito da carência de financiamento da associação, e referindo uma quantia de 3 milhões de euros que não é “suficiente para as necessidades que são, neste momento necessárias”, disse o presidente Sérgio Humberto:

Três milhões de euros é manifestamente insuficiente, temos a consciência, e pelo menos o ex-Secretário de Estado tinha essa consciência que iria abrir uma segunda vaga, agora como nós não sabemos quem vai para o MAI, o Ministério da Administração Interna, se é a Mariana Mortágua se é a Catarina Martins, nós não sabemos se, portanto, vamos poder ter esse tipo de abertura.

Tenham medo trofenses! Se vier por aí um governo que resulte de um entendimento entre o PS, a CDU e o BE, pode-nos calhar a Mariana Mortágua ou a Catarina Martins na rifa e lá se vai a abertura. Até porque era muito mais fácil negociar com o antigo Ministro da Administração Interna Miguel Macedo, aquele que foi recentemente constituido arguido num processo de tráfico de influêcias e prevaricação, ou com o seu Secretário de Estado, João Almeida, o tal que este executivo queria transformar em cidadão honorário do nosso concelho, apesar de nunca ter feito o que quer que fosse pela nossa terra e que ficou conhecido por dizer, na televisão pública, que os eleitores obrigam os políticos a mentir.

É muito triste, e ilustrativo do carácter de alguém que atenta contra liberdades fundamentais como aconteceu no início da passada semana no Muro, ver um autarca instigar este tipo de medo com base em absolutamente nada. A propaganda não era para ali chamada, o tom jocoso roça o parolo e as suspeitas são completamente infundadas. Eu compreendo que o senhor presidente esteja habituado aos jogos de poder que o seu partido e o PS habitualmente jogam, em que governos PSD procuram boicotar autarquias socialistas e vice-versa, mas tal não implica que todos desçam a esse nível rasca. Principalmente quando não existe sequer histórico comparável que dê substância a tamanha imbecilidade. Para além de que, perspicazes como são, qualquer uma destas senhoras, caso fosse mesmo para o MAI, não seria estúpida ao ponto de hostilizar uma associação tão importante, algo que teria custos eleitorais óbvios, quando acabaram de duplicar a sua votação no nosso concelho.

É importante também lembrar que, se os três milhões são “manifestamente insuficientes”, tal decorre de opções do governo que cessou funções e que era suportado pelos mesmos partidos que governam a Trofa. Foram eles que decidiram alocar verbas que não cobrem as necessidades da AHBVT, não o Bloco de Esquerda. Claro que, quando o valor mais alto da propaganda se levanta, o céu é o limite da manipulação. Uma chatice que existam pessoas que insistem em desmontar a propaganda.

 

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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