Parque das Azenhas ou Passeio das Azenhas?

por Silvéria Miranda 0

Foi inaugurado, esta manhã, o Parque das Azenhas, na Trofa. Numa coisa todos temos que concordar: o lugar é bonito, convidativo e, de certa forma, é um passo para que o rio Ave comece a ser devolvido aos trofenses. Os mais velhos recordam assim os tempos em que nele iam a banhos ou nele brincavam. Os mais novos, que nunca tiveram esse gosto, podem agora aproveitar as suas margens para praticarem desporto, para passarem algum tempo ao ar livre, sem terem que se deslocar ao Parque da Rabada, em Santo Tirso, por exemplo.

Esta manhã, o Parque estava cheio de curiosos, trofenses e não trofenses, e confesso que gostei de ver que as pessoas se interessaram, que mostram a sua opinião e que têm agora um espaço que lhes permite fazer algumas coisas que dantes, quem não tinha oportunidade de sair da terra, não podia fazer.




Contudo, e independentemente de ainda só ter sido inaugurado uma parte do percurso, sou da opinião que não deve ser inaugurada coisa nenhuma que não cumpra os requisitos todos para que funcione correctamente. Vejamos, assim à partida, algumas coisas que me parecem fundamentais:

– sendo um espaço que convida à prática desportiva, quem tiver sede não tem nenhum local com água potável disponível;

– se o desportista optar por levar uma garrafa de água e quiser deitá-la fora, onde estão os caixotes do lixo?

– além disso, existem poucos espaços à sombra.


– aproveitar as margens do rio Ave é uma mais-valia. Todavia, convinha que o rio estivesse limpo e tudo à sua volta também!



– como é que as entradas para o Parque não coincidem, pelo menos, com os extremos? No caso da Esprela, e tendo em conta que o Parque começa na zona da ponte de ferro, não só não há entrada nenhuma, como quem mora das imediações tem de passar por terra e pedregulhos se quer começar o seu percurso por ali.




– além de todos estes pormenores (que são lamentáveis, mas que também não são o mais grave), outras coisas me preocupam. Em primeiro lugar, a segurança. Hoje estava tudo muito bonito, muita gente, tudo relativamente seguro. Mas em horas de menor afluência? Em segundo lugar, aquando das primeiras cheias, o que vai acontecer ao passeio? Vai ser alagado? Estas questões já foram colocadas por diversas pessoas a quem, supostamente, saberia mais que o resto da população. Não foi dada qualquer resposta, mas espero que já estejam acauteladas.

Por fim, e tendo em conta o que aqui podem ver, não sei como se inaugura algo com a designação “Parque das Azenhas” se além de se resumir a um passeio (um bom piso, convenhamos) a par do rio, não tem um banco, um mesa de piquenique, um espaço com relva. As azenhas, que dão nome ao dito parque, mais não são ainda que meras figuras decorativas. Tudo se irá resolver, suponho, mas foi prematuro inaugurar a correr um espaço que nem faz jus ao nome…


Silvéria Miranda

Sempre tive como velha máxima que os factos são sagrados e as opiniões livres. Foi com essa premissa que criámos este espaço e é por ela que me rejo em cada palavra que aqui escrevo. Sem qualquer interesse que não o de ajudar a construir uma Trofa melhor, mais justa e apelativa, digo orgulhosamente que sou tanto da Trofa como a Trofa é minha!

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