Um tiro no próprio pé

por Silvéria Miranda 0

Durante a campanha eleitoral para as autárquicas de 2013, eu afirmei, não por estas palavras mas por outras que queriam dizer o mesmo, que não se tratava de virmos a ter o ou a presidente de Câmara mais competente, mas aquele que se servisse da melhor máquina em termos de comunicação política. Independentemente de Sérgio Humberto ser melhor ou pior que Joana Lima, na verdade é que há dois anos atrás tivemos uma coligação manipuladora e mais convincente e um PS mais ingénuo e aos tropeções.

Acontece que durante essa campanha de 2013 não bastava ter outdoors com um candidato de ar sério, dar canetas ou convidar o Augusto Canário para actuar no meio da rua. Era preciso estudar uma postura a adoptar, ensaiar um discurso, planear os gestos. Não sejamos ingénuos, é assim em qualquer eleição, com qualquer partido que pense com a mentalidade do século XXI! Acontece que é através da comunicação social, e nomeadamente da comunicação social local, que essa mensagem passa de forma se não mais convincente e credível, pelo menos de forma mais ampla. E é aqui que entra O Notícias da Trofa (NT).

O NT foi, por diversas vezes, “acusado” de ser simpatizante do PS trofense, nomeadamente pela ligação de Vera Araújo a Joana Lima. Foi uma escolha pessoal e arriscada de Vera Araújo e só gostou quem quis (eu fui das tais que achei um erro, porque é meu direito formar opiniões sobre situações públicas, mas ela lá sabia)… Verdade ou não, acontece que a coligação nunca viu isto com bons olhos, como sempre foi notório, mas usou o NT em 2013 e quando lhe deu jeito porque, toda a gente sabe, mexer com a comunicação social nunca foi boa ideia… Até um dia!

Há um dia em que se resolve dar uma de meninos mimados e boicotar o jornal mais conhecido da Trofa. Claro, temos o Correio da Trofa (CT), mas esse não é um jornal da Trofa, é um jornal do partido… mas enfim, não é do CT que falamos agora.

Foi com vergonha – sim, vergonha – que vi o presidente da autarquia onde resido pedir para um jornalista (mais que um, mas era claramente implicância com um só) que tinha interesse em cobrir um acontecimento PÚBLICO, se retirar. A desculpa dada – que o assunto em causa, o metro no Muro, dizia respeito aos murenses – é do mais patético que existe. Por uma razão muito simples: qualquer pessoa pode usar o metro, o metro não é propriedade privada de cada um dos murenses, e tratando-se de dinheiro público eu posso querer saber o que se passou numa “renião” sobre este assunto (que foi tudo menos uma conversa “transparente”), sendo murense ou não. Para além de que nem todos os murenses puderam estar presentes. Simples assim.

Foi, claramente, uma tentativa de humilhar Hermano Martins, que provavelmente nunca se imaginaria numa situação destas. Mas o que mais me choca nisto tudo é ver Carlos Martins compactuar com isto, alguém que sempre se disse tão independente, e ser ele a pedir ao “amigo” Hermano Martins para não gravar, desculpando-se com um suposto erro próprio. Não me atirem areia para os olhos e aprendam a mandar na vossa casa!

Enfim, quero com isto dizer que a relação entre políticos e jornalistas sempre foi bilateral. Os jornalistas precisam de escrever sobre os políticos, sobre as suas decisões e propostas, e os políticos precisam da comunicação social para lhes dar voz e para chegarem a mais gente. Quando esta relação esfria perdem todos. Perdem os jornais, perdem os partidos, e perdem os cidadãos que deixam de ter acesso a determinada informação. Eu não posso compactuar com este atentado à liberdade de informação (que está na Lei, como o Sindicato dos Jornalistas muito bem refere), muito menos sem um motivo plausível. E quando me vierem, em 2017, entregar canetas cheias de orgulho trofense, fiquem sabendo que não tive nenhum orgulho trofense ao ver isto.

E, para que conste, termino dizendo que não tenho qualquer ligação ao NT, apenas estudei com uma das suas jornalistas há anos atrás, com quem raramente falo, pelo que nenhuma relação de amizade ou proximidade interferiu no meu julgamento… Caso um dia o PS-Trofa volte a ganhar umas autárquicas na Trofa e faça qualquer tipo de boicote ao CT serei a primeira a apontá-lo… mas duvido que tal aconteça!

Quanto ao metro… bem, já não estava “resolvido” há vários anos?

Silvéria Miranda

Sempre tive como velha máxima que os factos são sagrados e as opiniões livres. Foi com essa premissa que criámos este espaço e é por ela que me rejo em cada palavra que aqui escrevo. Sem qualquer interesse que não o de ajudar a construir uma Trofa melhor, mais justa e apelativa, digo orgulhosamente que sou tanto da Trofa como a Trofa é minha!

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