A herança despesista e faraónica do PSD Trofa

por João Mendes 0

Neste tempo de abundância, em que apesar de recebermos apenas uma parcela daquilo que nos foi prometido lá vamos recebendo um remendo aqui e outro acolá, convido-vos para um regresso ao passado, uma curta viagem no tempo que nos permitirá tirar algumas conclusões sobre a facilidade com que muda a opinião de muitos daqueles que nos representam. Às vezes vá, há dias em que se limitam a representar um partido com sede em Lisboa.

A 18 de Setembro, foi publicado em Diário da República a abertura do concurso para a realização da obra que veio substituir a prometida variante à EN14. Para as fileiras futeboleiras mais ferrenhas das claques do poder político actual, a obra baptizada de Circular à Trofa transformou-se imediatamente na melhor opção possível à face da Terra. Um hino à gestão financeira por oposição à megalomania das obras faraónicas. A solução responsável contra o despesismo.

Em périplo pela nossa zona para apresentar uma obra com um calendário que, assumindo que não haverá lugar a derrapagens para encher os bolsos a construtores civis corruptos, até calhou de coincidir com a pré-campanha das Legislativas e coincidirá com o período imediatamente antes das próximas Autárquicas, o primeiro-ministro, naquele tom paternalista de quem tem tanto para nos ensinar, quiçá pela imensa experiência acumulada a derreter recursos do Estado em inutilidades como no tempo em que a sua Tecnoforma ministrava cursos para funcionários de aeroportos desactivados com o dinheiro que o secretário de Estado Relvas lhe ia arranjando, brindou-nos com a seguinte e brilhante tirada:

[A circular] Não custa os perto de 200 milhões que estavam projectados quando se achava que havia dinheiro para tudo e mais alguma coisa.

Mas quem é que achava que havia dinheiro para tudo e mais alguma coisa? Quem eram esses irresponsáveis despesistas que desenhavam essas obras megalómanas e faraónicas? Seriam os socialistas? Não. Eram mesmo dirigentes PSD Trofa que até 2009 governavam a autarquia, pais da dívida e do garrote financeiro que ainda aperta o nosso pescoço com impostos municipais esmagadores, no tempo em que primeiro se faziam as obras e só depois se lançavam os concursos. E se dúvidas restassem sobre a paternidade desta obra desse tempo irresponsável em que, como afirmava Passos Coelho, “se achava que havia dinheiro para tudo”, é o próprio PSD Trofa quem não deixa margem para dúvidas. O carimbo laranja na imagem que abre este texto fala por si.

Quando os vereadores socialistas, em reunião de câmara, fizeram o seu papel de oposição e contestaram a decisão insuficiente que consideraram ser esta circular, o vice-presidente da CMT, o Professor António Azevedo, foi peremptório ao afirmar que o PS Trofa, tal como o nacional, “só quer coisa grande, para não se fazer”. Terá sido herança do PSD Trofa?

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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