Agora é que vai ser

por João Mendes 0

Parece que desta vez é que é. Depois do sucesso do metro “resolvido” durante a governação PSD e da encenação socialista com Ana Paula Vitorino no principal papel, o metro vai mesmo chegar à Trofa. Não obstante todo o optimismo que tomou conta da minha pessoa, entendo que, até ver as máquinas em movimento, devo ser cauteloso, o histórico assim o exige. Mas como diz o saber popular, à terceira é de vez.

Confirmando-se este cenário, anunciado pelos autarcas da Trofa e da Maia e pela imprensa nacional, apesar das declarações contraditórias de Pedro Passos Coelho que, na semana passada, afirmava convictamente que essa hipótese não estava em cima da mesa, algo que de resto vem ao encontro daquilo que escrevi na semana que antecedeu o acto eleitoral, trata-se de uma grande vitória deste executivo que, para aqueles que não estão recordados, escreveu no seu programa eleitoral o seguinte:

Financeiramente, da forma como o país está, o investimento que a Metro tem que fazer na Trofa torna-se viável se definirmos duas fases distintas em termos de prazos: numa primeira fase, a ligar o ISMAI ao Muro (uma prioridade da qual não abdicaremos e que representa uma distância reduzida); de seguida, estabelecer a ligação do Muro com o centro da Trofa e criar um interface rodoferroviário junto da actual estação de Caminhos-de-ferro. Sem abdicar deste direito do concelho da Trofa em ter o Metro até ao centro da cidade.

A primeira fase, numa altura em que aproxima a conclusão do primeiro ano de mandato deste executivo, parece estar agora ao alcance dos anseios da população, nomeadamente da população do Muro que lutou sem dar tréguas durante anos para que esta obra fosse uma realidade. Aliás, importa referir que mais do que as manobras políticas que poderão ter desbloqueado o problema, é à pressão convicta e inflexível da população do Muro, sob a liderança carismática de Carlos Martins, que devemos muito do que agora celebramos.

Ainda muita tinta irá rolar sobre este processo. E segundo a imprensa que noticiou o assunto, a obra não será assumida, como seria expectável, pelo Estado e pela empresa Metro do Porto, como de resto vem sendo regra. Serão as câmaras da Trofa e Maia, que abdicarão de alguns milhões de fundos comunitários que lhes caberiam no âmbito do Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano (entre 3 a 6 milhões de euros, o valor apresentado pelos diferentes OCS é vago) a que se juntará a CCDRN, quem assumirá os custos da obra. Dirão alguns: mas então vamos perder uma importante fatia de investimento que se destinaria à totalidade do concelho? Respondo-vos: para lá da Peça Má também é Trofa. E a população do Muro já sofreu demais com esta história. 

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

Comentários

Deixar um comentário

Faça Login para comentar.