Gente suspeita que estará a eleger ao votar na coligação PSD/CDS-PP

por João Mendes 0

Saiba o caro trofense que, se no dia 4 de Outubro votar na coligação PSD/CDS-PP, não estará a votar em Sérgio Humberto ou na professora Isabel Cruz. Muito menos no candidato Alberto Fonseca, em lugar não-elegível, que na equação do poder foi preterido em detrimento de, entre outras, pessoas pouco dadas à transparência como aquelas sobre as quais lhe venho falar. Se no Domingo votar na coligação PSD/CDS-PP, estará a ajudar a colocar no poder duas pessoas a braços com processos na justiça e/ou envolvidos em esquemas pouco transparentes de negócios ou má gestão em que os recursos públicos foram geridos de forma danosa ou colocados ao serviço de interesses privados em prejuízo do Estado e de todos nós que dele fazemos parte.

Se votar na coligação PSD/CDS-PP no Domingo, rebaptizada de Portugal à Frente, estará a eleger José Pedro Aguiar-Branco, homem cujo ambição pelo poder é tal que se dispõe a servir Pedro Passos Coelho mesmo depois de saber da existência do esquema subterrâneo colocado em prática pela equipa do actual primeiro-ministro para detonar a sua candidatura à direcção do PSD. Chega a dar pena que alguém que tenha sido tratado desta forma se predisponha a seguir o responsável por tamanho desrespeito. Mas a ambição pelo poder tem destas coisas o que, sendo boa ou má, é algo que apenas nos elucida sobre o carácter da pessoa que lidera a lista da coligação pelo distrito do Porto. Sobre o que ele tem andado a fazer, no exercício das suas funções e às custas do erário público, sugiro este artigo da Sábado, uma revista a léguas de poder ser conotada com a esquerda, que nos conta como o ministro da Defesa usa as suas viagens oficiais para promover empresas em países que o seu escritório de advogados divulga e onde faz negócios. Algumas dessas empresas são geridas por antigos assessores de Aguiar-Branco como Rodrigo Adão da Fonseca – bloguer no Insurgente, uma espécie de braço armado da coligação no universo digital – ou Afonso Azevedo Neves. Redes de amigos.

Ao votar na coligação PSD/CDS-PP no Domingo, estará também a contribuir para a eleição de Marco António Costa, homem poderoso a associado a tantos esquemas que para os referir a todos precisaria de mais parágrafos do que aqueles que o caro leitor terá paciência para ler. Revelo-lhe os mais sonantes: reza a lenda que terá sido Marco António Costa a fazer o ultimato a Pedro Passos Coelho, por altura do chumbo do PEC IV: “Ou há eleições no país, ou há eleições no PSD”. Passos Coelho escolheu as Legislativas. Mas isto é um mero detalhe. Marco António Costa foi, entre 2005 e 2011, vice-presidente da CM de Gaia, responsável pelas finanças da autarquia e por uma gestão ruinosa que lhe valeu 19 juízos de censura da parte do Tribunal de Contas, que referem a contratualização de vários swaps tóxicos que, nas palavras do Tribunal de Contas, “geraram avultadas perdas financeiras para a autarquia. Se hoje a CM da Gaia é uma das mais endividadas do país, deve-o em grande parte a gestão de Marco António Costa que contradiz toda a “argumentação” do rigor e da suposta gestão de excelência, sempre tão presente na propaganda da coligação.

Mas a história controversa de Marco António Costa não fica por aqui. Há cinco meses atrás, o militante e ex-dirigente social-democrata Paulo Vieira da Silva enviou uma denúncia ao Ministério Público, sob investigação e em segredo de justiça, na qual acusa Marco António Costa de gerir uma verdadeiro polvo de tráfico de influências ao mais alto nível, com “homens de mão” colocados em posições estratégicas no partido, em comissões parlamentares e no próprio governo e cujos tentáculos, ao que tudo indica, chegam até ao nosso concelho através de supostas influências movidas na Infraestruturas de Portugal (circular à Trofa), comissão parlamentar de Saúde (centro de Saúde de Santiago de Bougado) e na ligação do advogado Bolota Belchior à CM da Trofa e à Trofáguas. E se é verdade tratar-se de um processo a seguir os trâmites legais da justiça portuguesa, não é menos verdade que poucos foram os sociais-democratas que tiveram respeito pelo procedimento que envolveu José Sócrates quando ainda não havia – já há? – qualquer acusação formal contra o ex-primeiro-ministro. Ainda assim foi o centro da campanha da coligação até há pelo menos uma semana atrás. Fica o toque para as virgens ofendidas que por aí têm aparecido.

Fica as notas. Quando um trofense votar na coligação PSD/CDS-PP no dia 4 de Outubro, é a estas duas pessoas que estará, em primeira instância, a dar o seu voto. Até porque, sejamos sérios, a eleição de Alberto Fonseca, pessoa que me merece todo o respeito, é pura e simplesmente impossível. Implicaria que a votação da coligação no Porto ultrapassasse os 77%. E nem o mais fanático dos militantes acredita em tal cenário.

Foto@O Notícias da Trofa


P.S. Fica, a título de curiosidade, o link para a peça da revista Visão "A Face Oculta do PSD", sobre uma história mal explicada de fugas ao fisco e facturas falsas da empresa Webrand, que conduziu várias campanhas eleitorais do PSD, sempre em contacto directo com algumas pessoas relacionadas com a denúncia feita ao Ministério Público por Paulo Vieira da Silva, todos eles próximos de Marco António Costa (e com o próprio claro) como Agostinho Branquinho, Virgílio Macedo ou Adriano Rafael Moreira. Meras coincidências...


João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

Comentários

Deixar um comentário

Faça Login para comentar.