A coligação Portugal à Frente está-se nas tintas para o nosso concelho. A Trofa é um dado adquirido

por João Mendes 0

Ora bem, para não ser mal interpretado, quero deixar desde já claro que o título desta crónica não se refere aos militantes trofenses dos partidos que integram a coligação Portugal à Frente, ainda que alguns deles estejam mais focados nas suas ambições pessoais do que na Trofa, seu mero trampolim para a acumulação de poder. Mas é mesmo da direcção do partido que estou a falar. Da elite que manda no partido. Elite essa que de resto não deve ter em grande conta a concelhia da Trofa, uma das maiores do país – se não mesmo a maior – e cujo único representante, Alberto Fonseca, líder dessa enorme concelhia, surge num muito modesto 31º lugar de uma lista que, assumindo como verdadeiro o que as sondagens dizem, irá eleger menos deputados do que 2011. E em 2011 foram 17 pelo PSD e 4 pelo CDS-PP.

Longe vão os tempos em que o poder da concelhia da Trofa era outro. Tempos em que Bernardino Vasconcelos ou João Sá eram eleitos deputados para representar o círculo do Porto e os trofenses na Assembleia da República. E se acha que isto não é uma questão de poder desengane-se. É mesmo de poder que estamos a falar. O que terá acontecido entretanto para que, já na anterior eleição, o actual presidente da CM da Trofa tenha sido relegado para o 18º lugar no lista, lugar esse que acabou por se tornar elegível devido a saída de um dos 17 deputados iniciais que o PSD elegeu?

A minha conclusão, uma opinião que vale o que vale, é que a Trofa é um dado adquirido para a coligação PSD/CDS-PP. A vitória recente nas Autárquicas e o facto de o concelho da Trofa ser maioritariamente laranja, faz com que aqueles que gerem a campanha da coligação não estejam interessados em gastar recursos preciosos, dos quais necessitam noutras áreas, numa zona onde consideram a vitória inevitável. Trata-se, portanto, de um concelho secundário na hierarquia de prioridades das pessoas que gerem o PSD desde Lisboa. E, em várias ocasiões, a caravana até passou bem perto, mas não perdeu tempo com a Trofa. Fica para uma próxima oportunidade em que os nossos votos não sejam dados como garantidos.

Para reforçar o meu argumento, reparem que, na campanha para as Autárquicas, até Jean-Claude Juncker esteve na Trofa. É que nessa altura, a disputa com os socialistas não era um dado adquirido e recuperar uma autarquia tradicionalmente social-democrata era uma prioridade. Agora, nem Passos Coelho ou sequer Paulo Portas puseram os pés na Trofa. Nem o líder pelo círculo do Porto, Aguiar-Branco, por cá passou. A mais alta patente – corrijam-me se estiver enganado – que até agora pôs os pés na Trofa foi mesmo Emília Santos, nº 3 da lista do PàF. Mas hey, qual é a novidade? Acha que eles querem mais de si do que um voto no dia 4 de Outubro? Não me vai dizer que se deixou enganar pelo habitual truque da visita à feira...

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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