Aquilo que me move

por João Mendes 0

Muitas pessoas me questionam sobre aquilo que me move. Porque me “intrometo” em questões que supostamente não me dizem respeito. O que pretendo com a actividade que desenvolvo. A resposta é simples: cidadania. Cidadania não se resume a uma relação de cumprimento de deveres/usufruto de direitos. Cidadania é muito mais do que isso. Cidadania também significa ter uma palavra a dizer sobre aquilo que são os recursos comuns, a condução dos destinos da comunidade ou a forma como as forças vivas dessa mesma comunidade actuam nas mais variadas esferas que têm impacto na nossa existência. Será que estas questões são monopólio de partidos políticos ou dos chamados notáveis? Obviamente que não. Todos temos o direito a dizer de nossa justiça e se os “senadores” não estiverem bem que se ponham. Podemos dizer asneiras? Claro que podemos. Se os partidos políticos e os seus batalhões de assessores, financiados com milhões dos nossos impostos podem dizer barbaridades ou mesmo mentir, quem neste mundo tem autoridade para restringir a liberdade de um cidadão comum de dar a sua opinião, mesmo que a mesma seja pura e simplesmente parva?

Olá, o meu nome é João Mendes. Ideologicamente de esquerda moderada, identifico-me com a social-democracia que lutou e ajudou a conquistar o Estado Social. É favor não confundir social-democracia com a linha orientadora do PSD actual, uma espécie de híbrido que agrega um conservadorismo demagogo ao radicalismo ultraliberal que procura esvaziar as funções do Estado, esmagar a classe média e tornar o país competitivo pela via do aumento da mão-de-obra barata, desclassificada e precária. Não é essa a tradição de Sá Carneiro. Sá Carneiro teria vergonha de ver o seu projecto refém de carreiristas medíocres, chicos-espertos e senadores com 10 ou 15 cargos em conselhos de administração de multinacionais cujos ministérios ou secretarias de Estado que dirigiram no passado tutelaram. Berro e berrarei todos os dias para que caiam, sabendo que o mais certo e nunca ver materializada a minha aspiração. E mesmo assim não baixarei os braços, não porque precise, porque felizmente tenho uma condição de vida que me permite respirar com algum alívio, mas porque essa condição não me impede de assumir como minha a luta de que não a tem.  

Aquilo que me move é a crença inabalável de que não sou um mero espectador que é chamado de 4 em 4 anos para votar. Que tenho o direito de emitir opiniões sobre os assuntos da esfera pública que têm impacto na minha vida e na daqueles que me rodeiam. Que posso meter o nariz nos negócios feitos com o dinheiro dos meus impostos quando e sempre que me apetecer. Que sou livre para comentar qualquer assunto que diga respeito à esfera pública da sociedade que integro. Sou livre, ponto. E não aceito lições de moral de senadores com ladainhas pomposas sobre uma liberdade que só respeitam quando em seu benefício. Que apoiam corruptos e escumalha similar. Que acusam terceiros de demagogos quando fazem da demagogia uma das suas armas. Que criticam o despesismo e as negociatas dos seus adversários com a bandeira da moral e da ética na mão mas que não se inibem de fazer vista grossa quando são os seus a levar a cabo o despesismo e as negociatas. Isso é gente de outro tempo, saudosistas do respeitinho salazarento que confundem educação com subserviência, respeito com medo e disciplina com repressão. O tempo destas pessoas terminou há 40 anos. Resta proporcionar-lhes uma extinção suave, que lhes permita manter acesa a chama da ilusão da sua superioridade ética e moral tal como o antigo regime foi mantendo a de Salazar nos meses que se seguiram à queda da cadeira, iludido que ainda governava o seu império em cacos.

Alguns amigos que tenho no interior dos partidos políticos do regime dizem-me frequentemente que alguns dos seus líderes, alguns deles estas espécies repletas de pó fascista que descrevi em cima, me acusam internamente, à porta fechada, de ser movido pela ambição fanática de ser presidente da Câmara da Trofa. Não tenho essa ambição. Repito: não tenho essa ambição. À escumalha que usa estes pretextos para denegrir a minha pessoa, sugiro um print screen destas palavras para que me possam ser atiradas à cara caso um dia desça ao nível rasteiro de alguns vermes que se contradizem dia sim dia sim.

Mas se tivesse essa ambição, teria tanta legitimidade para a ter como qualquer um desses oligarcas políticos que se acham parte de um lote de iluminados a quem o poder está destinado. Claro que, perante algumas verdades incómodas que vão sendo reveladas sobre a sua acção política, e perante a ausência de argumentos para rebater esses factos, alguns cobardes tendem a esconder-se por trás do boato. No fim de contas, estamos a falar de pessoas que deixam o trabalho sujo para os seus soldados rasos ou para aqueles panfletos e perfis anónimos de Facebook que por aí vão aparecendo e que, não vinculando qualquer um dos partidos ou a totalidade dos seus militantes, têm origem em grupos de socialistas e sociais-democratas que se dedicam ao terrorismo social como forma de derrotar os seus adversários, políticos ou não.

No entanto, e em jeito de dedicatória e todos esses pategos, deixo aqui a minha declaração de intenções políticas: continuarei a escrever até que a morte me leve, continuarei a esmiuçar todo e qualquer tema da esfera pública que me apeteça e estarei sempre disponível para integrar uma lista fora dos partidos do regime – de onde até já me chegaram convites no passado mas isso são outros 500 – para defender os interesses da minha terra seja pela via da simples sensibilização, seja numa Assembleia de Freguesia ou Municipal. E nem precisariam de me pagar 50 ou 60 euros por sessão porque no dia em que isso acontecesse, se algum dia acontecer o que me parece altamente improvável, estarei lá por convicção, em campanha como após a mesma, e não preciso que me paguem para fazer algo que fica mais que saldado pela honra e pelo privilégio de servir e defender a Trofa daqueles que a instrumentalizam. Os tachos e os favores deixo-os para aqueles que, no seio dos partidos do regime, dominam a arte com mestria. Era o que mais faltava pagarem-me um valor desses para andar meia dúzia de metros e fazer serviço público.

Finalizo com uma nota a todos aqueles que, no seio dos partidos do regime, ouvem esses perfeitos anormais veicular essas ideias patéticas: eu não ando nisto atrás de dinheiro, empregos ou poder. Entendo que seja isso que os mova, até porque a mediocridade de alguns não lhes permite satisfazer toda a sua ambição consumista de outra forma que não seja vivendo à custa do Estado, mas ainda existe quem defenda a sua terra, as suas ideias e os seus valores apenas e só por convicção. E é isso que os confunde porque, coitados, não conseguem conceber que alguém lute por ideais que não a ânsia pelo poder ou pelo dinheiro. Confunde os medíocres e reforça quem se norteia por convicções superiores a meras ambições pessoais. 

Cá continuarei a dormir de consciência tranquila, o mesmo não poderão dizer alguns lobos com pele de cordeiro. Faço votos de que tenham muitas insónias.

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

Comentários

  1. Amadeu Jose Bento Machado

    Concordo e subscrevo muuuito do que João Mendes aqui afirma, principalmente na ideologia social-democrata e no que ele afirma sobre a linha orientadora actual do partido fundado por Sá Carneiro. Para ser cem por cento honesto, quero afirmar que não tenho a certeza se defenderia a postura de Sá Carneiro nos dias de hoje se ele ainda fosse vivo... têm sido tantas as desilusões... dou-lhe o benefício da dúvida. Defendo e apoio com o sacrifício da vida se necessário for o DIREITO DE CIDADANIA que aqui defende. Para o João e todos os Joões do universo e o direito de contestarem e falarem mesmo que contra mim ou contra o que eu penso... só acho que para defender as suas ideias e posições, não há necessidade de classificar aqueles com quem não concorda e muito menos pejorativamente, pategos, perfeitos anormais, etc. Acho também que tem toda a legitimidade e pelo seu estilo, até acho que seria útil, para ocupar um cargo público. Não entendo o seu prurido a respeito. Continue a dormir repousado e lute para nunca deixar de o fazer.

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