Proliferação de pequenos projetos fazem a “cidade” grande

por João Pedro Costa 0

Tempos difíceis enfrentam a generalidade das famílias portuguesas, a braços com uma drástica mudança na sua realidade de vida, desde a chegada da mais recente crise (2008-2015...), inicialmente económica e depois social, que impôs menores rendimentos, mais impostos, que deixaram menos dinheiro disponível para um sem número de produtos e serviços que até então faziam parte dos hábitos de consumo.
Por outro lado, a “genética” portuguesa muito enraizada no gosto pela terra, setor que dominou as atividades económicas em Portugal e o principal modo de vida, durante largos séculos, sendo uma boa parte das atuais famílias descendentes de pessoas que outrora cultivaram os campos e neles buscavam o sustento, sendo por isso do conhecimento algumas técnicas de cultivo.
O processo fulminante de urbanidade e da construção em altura esbateu-se por todas as cidades e até mesmo vilas e aldeias, de forma mais ou menos “des”controlada, na Trofa em particular desde a década de 80 do século passado, mas onde não foram acautelados devidamente os espaços verdes sustentáveis, sendo este um exclusivo de quem conseguiu habitar uma casa térrea e nela ter anexado um pequeno quintal.
Nesta realidade, dezenas de Câmaras Municipais de todo o país, falando particularmente e com conhecimento do caso de V.N. Famalicão a funcionar no parque da Devesa, dinamizaram o conceito de Hortas Urbanas, espaços de terrenos disponibilizados pela Câmara Municipal (sua propriedade, arrendados ou em regime de comodato), que depois são divididos em talhões, e colocados à disposição dos munícipes interessados através de um concurso, mediante pagamento de um aluguer simbólico (mas que no seu todo, até poderá pagar os custos de manutenção), garantindo assim, o cultivo a que se soma o embelezamento dos espaços. Ao mesmo tempo, os amantes das plantações encontram um passatempo salutar de reencontro com a terra, podendo inclusive obter produtos biológicos para a sua alimentação, com benefícios quer na sua saúde, quer na sua carteira e na economia na despesa mensal do supermercado.

Muito seria possível, desde as “Hortas sociais” que beneficiaria as famílias mais carenciadas; às “Horas solidárias” para voluntários oferecerem os cultivos às instituições de apoio social; às “Hortas inclusivas” caracterizadas por ser efetuada em camadas para pessoas de mobilidade reduzida; às “Hortas pedagógicas” para sensibilização e acompanhamento de grupos escolares; às “Hortas biológicas” onde se podem obter produtos sem adições químicas; ou até mesmo a “Hortas técnicas” destinadas a ações de formação ou novas experiencias com técnicas inovadoras.
Na Trofa, um projeto simples, com reduzidíssimos custos para implementação, continua a não fazer parte dos planos dos executivos que têm estado à frente dos destinos da Câmara Municipal da Trofa…! Apenas se conhecem pequenos cultivos levados a cabo por uma ou outra associação, mas que nunca foi tratado de forma integrada e levando em conta um envolvimento de todo o concelho, fazendo assim da medida um eixo estrutural dentro do conceito de ambiente na Trofa e das suas políticas.
Bougado (S. Martinho e Santiago), o local mais urbano do concelho, onde habita mais de 50% da população, encontro um local de excelência onde a medida poder ser “semeada” – o Parque das Azenhas, nos terrenos opostos à margem do rio. Esta obra garantia a afluência de mais pessoas ao espaço, dando-lhe outro tipo de interesse, ao mesmo tempo que poderia ser aproveitado para o reforço de terras, que mais dia, menos dia, serão novamente galgadas pela força das águas do rio. A vigilância, diurna e noturna, que se espera ver em funcionamento no Parque das Azenhas, garantiria a proteção do espaço de intromissões e a segurança dos cultivos e investimentos que lá fossem realizados.

Se o fator dinheiro em muitos casos até poderá ser admissível, neste caso não se coloca e poderia a Câmara Municipal da Trofa ver aqui uma oportunidade de cumprir a sua função de desempenhar um papel criador de oportunidades para os munícipes.
Deixo anexos, para os que queiram prosseguir a leitura e conhecer de forma mais ampla o conceito “Hortas Urbanas”, o que existe na Trofa, e o longo percurso que terá de ser feito…

Vídeo Misericórdia da Trofa "O meu cantinho de terra" (famílias carenciadas)

Apresentação Horta Urbana de Vila Nova de Gaia

Regulamento Horta Urbana de Vila Nova de Famalicão


Comentários

  1. Pedro Tedim

    Caro João Pedro, excelente artigo sobre as hortas comunitárias, biológicas ou o que seja. É um assunto de que gosto muito, mas infelizmente por falta de tempo não posso ter uma pois não conseguiria dedicar o tempo necessário. "cultivar" este hábito nas pessoas seria muito benéfico por vários motivos. Para quem não tem trabalho, dedicar o seu tempo a cultivar uma horta significaria ocupar a mente e esquecer os azares da vida, para além de se poupar uns euros. Seria tb uma excelente forma de adquirir hábitos saudáveis comendo comida verdadeira numa época onde os números de obesidade geral e em particular infantil são alarmantes. Mas nem quero ir por aí. Escrevo este comentário para te dizer que a ADAPTA tem uma horta biológica em Lantemil onde os pequenos "agricultores" alugam o espaço por um preço simbólico. Uma irmão minha tem um espaço naquele local. Como não vi referido no teu artigo este local (a não ser que tenha lido mal) achei por bem referir isso pois também muitas pessoas desconhecem que ele existe. Abraço

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