Bernardino Vasconcelos: o adeus de um dos pais do concelho da Trofa

por João Mendes 0

Bernardino Manuel de Vasconcelos (1947 – 2015), médico pediatra de profissão, faleceu esta Segunda-feira de manhã, na sequência de uma doença prolongada, aos 68 anos. Para trás ficou um percurso político que faz dele, incontornavelmente, a figura maior da política trofense da era democrática. Esteve na Assembleia Municipal quando a Trofa pertencia ainda ao concelho de Santo Tirso, foi deputado durante a vigência do XIII Governo Constitucional de António Guterres (1995 – 1999), mas, acima de tudo, foi um dos líderes que tomou a dianteira pela emancipação do concelho da Trofa, tendo exercido funções na Comissão Instaladora do nosso concelho (1999 – 2001), transformando-se posteriormente no primeiro presidente da Câmara da Trofa eleito (2001 – 2005), mandato que revalidou nas Autárquicas que se seguiram (2005 – 2009).

Para além de todas as polémicas, o seu a seu dono: Bernardino Vasconcelos foi, sem sombra de dúvida, a grande personalidade política do concelho da Trofa, dos tempos da “ocupação” tirsense ao Dia da Independência e nos anos que se seguiram. Juntamente com outros distintos trofenses, Bernardino Vasconcelos pode (e deve) ser considerado um dos pais do concelho da Trofa (ao contrário do que algumas figuras do seu próprio partido que, por conveniência, tentaram oferecer o título a Marques Mendes) e foi durante os seus mandatos que a Trofa começou a ser dotada de infra-estruturas fundamentais para o seu desenvolvimento e bem-estar da população como a rede de saneamento ou a construção de inúmeros arruamentos com passeios e alcatrão onde antes existiam pedras e terra batida.

Afastado da política activa desde 2009, Bernardino Vasconcelos deixa um legado que nem sempre reuniu unanimidade mas que não deixa de ser seu por esse motivo. Obras como a união dos parques, o Parque das Azenhas ou o Aquaplace foram imaginadas, estudadas e iniciadas sob a sua batuta. Ficará na história do concelho como o pediatra pelas mãos de quem muitos de nós passaram, como o autarca a quem foi delegada a missão de liderar os primeiros anos da autarquia trofense mas sobretudo pelo homem que lutou pela autonomia do nosso concelho. À família as minhas condolências, sentimento que acredito ser transversal a toda a equipa do E a Trofa é minha. A Trofa também era dele e se hoje é nossa, também lho devemos a ele. 

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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