Sérgio Humberto já tinha nascido no 25 de abril de 1974?

por João Pedro Costa 0

Têm-me chamado particular atenção as afirmações proferidas publicamente por Sérgio Humberto no exercício das funções de Presidente de Câmara, e que têm feito ecos desde já há largos meses na opinião pública da Trofa de que a socialista Joana Lima, eleita no final de 2009, terá adjudicado trabalhos ao jornal “O Notícias da Trofa”, durante os 4 anos do seu mandato, em montantes que ascenderam a 500 mil euros!
O facto a ser verdade é grave, diria mesmo muito grave, já que me parece uma verba exorbitante, ou pelo menos de relevo até lhe conhecer o conteúdo concreto, mas convenhamos que o alerta de Sérgio Humberto até pode fazer sentido, pois uma média de 125 mil euros/ano, merce ser denunciada “puxando” de explicações.
A minha proximidade a este jornal é grande, já que gratuitamente com ele colaboro enquanto cronista, além de que com o passar dos anos criaram-se laços de amizade entre mim e o seu diretor, Hermano Martins, gradualmente estendido à restante equipa que com ele colabora, no jornal e Trofa TV.
O “ADN” do blog “e a Trofa é minha” é “esmiuçar”, “sem clientelas”, pelo que o meu compromisso é sempre igual, respeitar os princípios, as estruturas e as instituições, mas sempre com a verdade, mesmo admitindo que ela pode ser vista de várias perspetivas. À primeira oportunidade, questionei de forma direta o Hermano Martins, se as afirmações proferidas pelo Presidente de Câmara correspondiam à verdade. (confesso que a minha intenção era escrever sobre o caso, no próprio jornal “O Notícias da Trofa” que ele dirige - afinal os únicos compromissos que assumimos foram eu colaborar com o envio de crónicas para publicação, quando pudesse, e ele, não me mudar uma única vírgula aos meus textos). A resposta do Hermano foi evasiva: “Achas?” Respondi-lhe: “não sei, tu é que tens de dizer, não me parece que um Presidente de Câmara proferisse afirmações tão levianas!” Ele respondeu-me: “tira as tuas conclusões”, olhando-me com um ar sentido, não sei se pela frontalidade da minha pergunta, ou se de o meu rosto lhe ter transmitido um ar de desconfiança!
Terminei a referir ao Hermano, “amizades à parte, já me conheces, vou investigar tudo, tudo mesmo, mesmo outras empresas que tenhas e sabes que tenho meios…”. Ele responde-me “força”. Para suavizar o momento, convidei-o para tomar café e dentro do possível fizemos de conta que o momento anterior não tinha existido.
As contas das sociedades são públicas e, como tal, estão depositadas na conservatória do registo comercial, atualmente em formato eletrónico, assim como todos os registos de cadastro de todos os participantes no capital das sociedades, pelo que é um direito meu, enquanto cidadão, proceder ao levantamento de quaisquer informações para análise e divulgação (se assim o entender). Ora é isso que vou fazer, esperando que as pessoas visadas compreendam a minha decisão de expor as suas vidas e negócios, mas é um direito que me assiste e nem desculpas tenho a pedir – é assim a vida em sociedade.
A empresa “O Notícias da Trofa”, contribuinte fiscal nº 506 529 002, é propriedade de Magda Araújo e Maria Araújo e apresentou os seguintes (negócios do referidos jornal e da Trofa TV) Volumes de Negócios:
Ano de 2010 – 142.163,53€
Ano de 2011 – 155.144,98€
Ano de 2012 – 124.520,59€
Ano de 2013 – 129.757,92€
PDF com contas oficiais “O Notícias da Trofa”
Encontrei ainda uma outra empresa, denominada de “Reflexo Ideal Unipessoal, Lda.”, contribuinte fiscal nº 509 185 673, pertencente a Hermano Martins, criada em 15 janeiro 2010 e cessada em 21 dezembro de 2012, e cujos Volumes de Negócios foram:
Ano de 2010 – 28.785,00€
Ano de 2011 – 22.150,00€
Ano de 2012 –         0,00€
PDF com contas oficiais “Reflexo Ideal”
Por fim, uma terceira empresa, chamada “JustBrands – Consultoria e Comunicação, Unipessoal, Lda.”, contribuinte fiscal nº 510 170 269, constituída em 10 de fevereiro de 2012, pertencente a Maria Araújo, empresa proprietária do “Jornal do Ave”, cujo projeto arrancou em 2014, onde estão relevados em Volumes de Negócios:
Ano de 2012 – 0,00€
Ano de 2013 – 0,00€
PDF com contas oficiais “JustBrands”
CONCLUSÕES são fáceis de tomar pelo somatório dos Volumes de Negócios destas 3 empresas, pertencentes ao “universo da família” e que se dedicam à comunicação, de onde se destacam os jornais (publicidades e assinantes), as reportagens da “Trofa TV” (as publicitárias pagas) e muitos outros serviços para o qual lhes conheço atividade: desenvolvimento de imagem para empresas, reportagens de festas e casamentos, acompanhamento de artistas, filmagens de jogos de futebol etc., que no seu total no período de mandato de Joana Lima não ultrapassou globalmente, e repito para que não hajam dúvidas, GLOBALMENTE 602.522,02€!
Consultando a tabela de preços a pagar por quem consome produtos destas entidades: preços para inserção de publicidades no jornal “O Notícias da Trofa”, custo do jornal que nas bancas pago a 60 cêntimos e com tiragem semanal de 5.000 exemplares, extrapolando o valor médio de uma reportagem publicitária na “Trofa TV”, de um serviço de casamento, etc., por exclusão de partes “sentencio”:
Não cabe na faturação das empresas do grupo “O Notícias da Trofa”, a verba avançada por Sérgio Humberto, já Presidente de Câmara e em posse de toda a informação!
A contabilidade das Câmaras Municipais (na Trofa desde 1998), não permite a saída de verbas que não estejam devidamente tituladas por documentos (inicialmente adjudicações e depois faturas), e cujas entidades contratadas comprovem a sua situação tributária e contributiva regularizada, pelo que uma teoria de bom português, em conversa de café, “de que foi por fora” aqui não se aplica!

O que se terá passado com Sérgio Humberto para proferir afirmações claras, de que foram atribuídas pela socialista Joana Lima, verbas de 500.000,00€ ao jornal “O Noticias da Trofa” (recordo que o Volume de Negócios TOTAL foi de 602.522,02€), ao longo dos seus 4 anos de mandato, pondo assim em descrédito, perante a opinião pública, este Órgão de Comunicação Social (e de Joana Lima, no plano político) atentando mesmo ao seu “bom nome” e reputação?  O que se terá passado para ter decidido, no verão de 2014, não prestar mais informações a este jornal e à “Trofa TV” instruindo a sua equipa mais “restrita”, a seguir o seu exemplo? Porque, ao invés, Sérgio Humberto “alinhou de perto” com um jornal, o seu jornal de campanha, de nome “Correio da Trofa” (distribuído de forma gratuita aos trofenses, é só passar nas bancas dos quiosques pegar e levar…!), tendo já concedido a uma empresa que foi detentora da sua marca "Correio da Trofa", Ajustes Diretos, conforme foi referido pelo João Mendes?
Porque Sérgio Humberto, gostando ou não gostando do jornal "O Noticias da Trofa" ou dos seus responsáveis, não cumpre a sua obrigação de Presidente de Câmara esclarecendo os trofenses sempre que os jornalistas deste relevante meio de comunicação local, fundado em 2002 e já transversal a vários executivos, o questione, com respeito pela liberdade de imprensa?
Poderia concluir o que penso deste assunto, mas acho mais justo envolver o leitor no texto e deixar cada um concluir por si…

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