Apetece-me falar sobre o Be Live. Será que posso?

por João Mendes 0

Há um ano atrás escrevi no E a Trofa é Minha sobre o Be Live – Festa da Juventude, cuja edição de 2015 hoje começa, à revelia de meia dúzia de distintos membros da elite política trofense que entenderam que, donos e senhores da Trofa, da razão e de uma forma muito sua de autoritarismo fascizóide, a um simples mortal como eu era vedada a possibilidade de formular juízos de valor sobre o evento por não o ter presenciado. Achei-os todos muito amorosos e fofos mas longe vão os tempos em que tinha tempo e paciência para brincar com carros telecomandados.

Um ano passou e fico com a sensação que as criticas feitas tinham fundamento, apesar da indignação calculada e artificial causada em tão nobres trofenses. Relativamente à questão do tratamento dos nossos artistas, os responsáveis políticos decidiram – e muito bem – remunerar o seu trabalho e conseguiram, contra os estranhos condicionalismos que na edição anterior os impediram, colocar os seus nomes em destaque no cartaz. De resto como se faz na esmagadora maioria dos eventos com uma organização verdadeiramente pensada e coerente. O segundo cartaz, mais detalhado, conseguiu fazer menção a todas as actividades e intervenientes. Afinal a crítica não era assim tão disparatada. Disparatado é atacar quem discorda por mero sentimento de claque politico-partidária e achar que se paga o trabalho de quem luta todos os dias com o “privilégio de usufruir das mesmas condições técnicas e de palco dos nomes internacionais que participam nesta Festa. Haja respeito pelos músicos trofenses. Simulações de caça ao voto em período pré-eleitoral não chegam.

Relativamente ao comunicado eleitoralista emitido pela JSD Trofa, ainda durante o mandato do anterior executivo e a poucas semanas das eleições, que se virou de forma anedótica contra os seus emissores, as questões de planeamento foram ultrapassadas com bastante sucesso mas existem ainda algumas sugestões/críticas que os jovens laranjas fizeram ao executivo de Joana Lima que continuam sem ver a luz do dia. A data continua a coincidir com um grande festival, mesmo aqui ao lado, a localização continua – felizmente – a ser a mesma e as mini-semanas da juventude nas restantes freguesias continuam no forno, quem sabe à espera do próximo ano eleitoral. Claro que como no poder está agora o seu partido, as suas preocupações desvaneceram-se por completo. Como seria expectável de meninos e meninas obedientes.

Os autocarros da autarquia continuam impossibilitados de fazer serviço público pelos jovens das freguesias limítrofes, assunto que desenvolvi em artigo de opinião n’O Notícias da Trofa que pode ser consultado neste link pelo que não me alargarei. Apenas reforço a tristeza de ver que os jovens trofenses continuam a não ser todos tratados por igual. Chegará o dia.

No que toca ao alinhamento dos cabeças-de-cartaz, e se no ano passado tivemos reggae, rock e hiphop, este ano voltamos a ter o hip hop em dose dupla, com Sam The Kid & Mundo Segundo e Regula, o pop dos D.A.M.A. e o Soul/R’n’B dos HMB. O cartaz agradará com certeza à maioria mas os adeptos das guitarras, baixos e baterias saem a perder nesta edição com a total supressão do rock que, poderá não parecer mas conta com uma significativa legião de fãs no concelho.  No gira-discos teremos alguns nomes conhecidos para “fechar o tasco”: Demo (Expensive Soul), Lady Van, DJ Overule e DJ Tonny. Parece que a sugestão de trazer mais DJ’s para animar o final da noite também não era assim tão descabida. Seja pelas alminhas do purgatório.

A prata da casa estará muito bem representada, com concertos dos Brendren Soul & Pena, 61 e Caixa Forte e actuações dos Alva - Academia de Dança , Star Kids, Passos de Dança e MTV4Dance. Cheguem mais cedo que esta malta é brava, trabalha duro e com poucas condições e merece o vosso apoio! 

Mas a programação não se resume à música. Nem deve. Haverá ainda lugar para um desfile de fanfarras logo a abrir na Quinta-feira, com as participações das fanfarras de Santa Maria de Alvarelhos e dos Agrupamentos dos escuteiros de São Martinho de Bougado (94) e Santiago de Bougado (447). Haverá também uma série de outras actividades, entre workshops de Kickboxing (Escola Life Combat), Ténis (Clube de Ténis da Trofa) e Rugby (Escolinha de Rugby da Trofa – parabéns ao meu amigo Paulo “Bolt” Costa pelo excelente trabalho com estas crianças), Aulas de Steel Tonic (Ginásio Body Life), Body Combat (Ginásio Fitness Trofa) e Zumba (Ginásio Be Fitness), uma competição de Powerlifting organizada por um ginásio – Corpus – que dispensa apresentações e que fabrica campeões,  um Game of Skate (Skateboard & Fingerboard) uma gala Ibérica de Boxe oferecida pela Alva Boxe, uma exibição do Grupo de Capoeira Trofa e, last but not least, o 2º Evento Solidário Bike 4 Life que conta com o empenho do meu amigo e colega neste espaço Hélder “Figuinho” Castro. Outro representante deste espaço que subirá ao palco, de caneta na mão, será o Pedro Amaro Santos, para assinatura do protocolo do OPJ entre a CMT e os Juventude Sem Fronteiras do Muro. Coisas da política que dão óptimas fotografias para o Facebook dos nossos autarcas que aparecer é bonito e os actuais dominam essa arte com mestria. Pelo meio haverá também animação de rua, um touro mecânico e o Champimóvel, cuja visita é altamente aconselhada por quem já lá entrou.

Agora é aparecer na zona envolvente da Estação da Trofa - o perigoso local para onde todos os eventos teimam em escorregar, esteja quem estiver no poder - até que às 3 da manhã de Domingo a festa se cale até ao próximo ano. Até lá vamos encher o recinto que os anos de travessia no deserto chegaram ao fim e a festa deste ano vale bem a pena. Quanto a prognósticos, deixarei os meus para o fim do jogo. Será que as elites políticas me permitem? 

Curtam muito e aproveitem! Afinal de contas, o Be Live foi pago com o nosso dinheiro.

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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