Assim somos só pitas básicas

por Pedro Amaro Santos 0

Se a Trofa tivesse mar éramos assim.

“O teu ódio põe-me no pódio. xD”*

Básicos, básicos, básicos todos os dias! O vosso bullying é isso: básico.

Seria repetitivo explicar o que passou para termos ido e voltado. Até porque nunca chegamos a ir. A Liberdade permanece. A Verdade não anda ao ritmo das agendas políticas do poder. E, como estamos todos perto o suficiente do poder, temos responsabilidade por ele. Por isso mesmo, embora todos sejamos acariciados pela mão afável e paternal que nos diz “vais por aí e depois queixas-te”, não é preciso coragem para ignorar e combater esses nossos familiares simpáticos. Suspeito que não seja novidade para todos, mas não é necessário coragem para defender o que é óbvio. Quando deixamos que seja, os tempos são estranhos. Se sentimos isso, não estamos na era certa. Passou tempo suficiente dos tempos em que assim não era e todos teremos culpa se isto andar para trás.

Feitas as reflexões politico-sociológicas que, estranhamente, ainda não são claras para todos, vou tentar ilustrar o nível em que as linhagens partidárias tentam por o debate público livre.

Sinto-me uma miúda com 14 anos, com muita maquilhagem e com um top curto a mostrar o piercing postiço, ou como um miúdo de 12, chapéu ao lado, cigarros do pai e fotos de mulheres nuas no telemóvel. Não há outra forma de me sentir perante isto. O nível baixou tanto que é neste registo que temos de debater algumas coisas. Quero bombardear-vos com citações do Bob Marley, de um qualquer fernando pessoa, ou tiradas de um graffiti qualquer que circula nas páginas artísticas da rede social. Não consigo arranjar outra forma de vos deixar uma mensagem tão básica. Fui pesquisar e encontrei frases como “caiu menina, ergueu mulher” para descreverem o que se passa aqui.

Estão explanados os meus sentimentos de teen teenager irreverente que não quer que a “julguem por ser diferente” e que critica “por serem todos iguais”. Acalmem todos os insultos que têm para me dirigir porque “lembrem-se que até um pontapé no rabo, vos empurra para a frente”. Compreendam que “o rio atinge os seus objetivos porque aprende a contornar os seus obstáculos”. Não há como não encontrar semelhanças entre estas jogadas politicas e o ambiente dos recreios onde os bullies, groupies e fashiones. Só faz com que nos deviemos do essencial: debater, esmiuçar, questionar, responder, pensar e mais uma série de verbos que aprendemos cedo demais para nos esquecermos.

Tenho a sensação clara que temos demasiado espaço público ocupado por uma linha filosófico-antropológico-sociológico-politológica de grunhos e herdeiros de grunhos. A única explicação que me parece aceitável é que alguém herdou o título de grunho do pai, do tio, ou do vizinho em miúdo por uma questão de sangue real. Esse herdeiro cresceu, ingressou na jota, fez trabalhinhos semelhantes ao de sabotar o nosso blog, e agora tem um qualquer cargo que acha importante. E não querem ser diferentes. Até dói poder pensar que se está a perder uma geração porque nos parece normal que não se possa dizer a verdade. Bem, isto nem me inquietava muito se não soubesse que aqui os títulos são para durar. Aqui ainda manda a mesma lógica que nos coloca como meros peões de uma elite que não dá, sequer, a cara. E vamos todos andando contentes. “Oh pá, é a vidinha”.*

Nota: Deixei de fora deste texto expressões como:

·        “Se o príncipe não te valoriza, dá uma chance para o sapo te fazer feliz”;

·        “Tanto fiz que agora tanto faz”;

·        “Vê se a quilómetros que te quero a centímetros”;

·        “Mais importante que a vontade de vencer é a coragem em começar”;

·        “A melhor forma de prever o futuro é criá-lo”; “Hamei-te! Sim, escrevi com H porque foi um erro”;

·        “Se o plano \"A\" não deu certo, não se preocupe, o alfabeto tem mais 25 letras para você tentar”;

·        “Princesa levanta a cabeça senão a coroa cai” 

·        “Não fiquei magoado por me teres mentido, simplesmente fiquei por nunca mais poder confiar em ti”;

·        “Não culpes as pessoas por te desapontarem mas sim a ti mesmo por esperares mais delas”.

Estão à espera devida análise. Quem sabe um dia este blog possa ter uma rúbrica que ponha em evidência as semelhanças entre os jogos de poder trofenses, os seus agentes e os cheios-de-estilo com 12 anos.

* (lê-se “xis-dê”; forma de expressar um sentimento de alegria perante uma situação caricata; utilizado como forma de expressão por parte de quem não domina a construção frásica com alguma facilidade)

* Miguel Gonçalves: tecnocrata, empreendedor, saloio populista e tudo o que precisamos.

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