O PSD e o eterno aproveitamento político da questão do metro

por João Mendes 0

Foto@Metro para a Trofa

O projecto de resolução do PCP que pedia o avanço da obra do metro para a Trofa até ao segundo semestre de 2016, sobre o qual falei aqui no início do corrente mês, foi sem surpresas chumbado pela maioria que suporta o governo de Pedro Passos Coelho. O grupo de trofenses que se deslocou até à Assembleia da República viu assim novamente frustradas as suas expectativas e o futuro incerto das acessibilidades do concelho adiado. Outra vez.

Apesar do novo chumbo, o aproveitamento político da questão não cessou. Na memória dos trofenses estará ainda o golpe de teatro protagonizado pelo PSD Trofa com um cartaz que, por altura das Autárquicas de 2009, apresentava o problema do metro como uma situação “resolvida” ou a encenação, também em contexto eleitoral, da vinda da então secretária de Estado Ana Paula Vitorino para garantir aos trofenses que o problema estaria encaminhado para resolução. Promessas vãs, promessas eleitoralistas que desrespeitaram os trofenses e relativamente às quais as hostes do bloco central se limitam a assobiar para o lado ou a criticar o vizinho, como se o seu partido não tivesse sido igualmente desonesto.

E enquanto os socialistas trofenses apontam o dedo ao governo por este não fazer aquilo que o governo Sócrates não conseguiu fazer em 6 anos, os sociais-democratas trofenses emitiram um comunicado que mais não é do que um novo atirar de areia aos olhos dos trofenses, tal como o foi o cartaz que em 2009 dava o metro como um dossier “resolvido”. Chumbada a proposta dos comunistas, o PSD Trofa afirma que “Depois de muitos passos atrás, pela primeira vez em muitos anos, foi hoje dado um passo em frente.“. E que passo foi esse? Aparentemente, o actual governo terá assumido um compromisso de prolongar o metro até à freguesia do Muro no próximo mandato. O que de resto não é passo nenhum na medida em que tal depende da vitória do PSD/CDS-PP nas próximas Legislativas e porque os compromissos desta coligação valem o que valem. Basta ver o que aconteceu aos compromissos de 2011 sobre o não aumento de impostos ou não imposição de mais cortes em salários e pensões com que Passos Coelho procurou iludir o eleitorado e que imediatamente deixou cair assim que conseguiu o poder.

O comunicado roda em torno da narrativa deste governo, que fazendo uso de uma espécie de amnésia, resume a situação do país à irresponsabilidade dos governos Sócrates, como se o problema tivesse sequer começado aí. Critica os socialistas pelo episódio Ana Paula Vitorino, sem ter a dignidade de assumir perante os trofenses que também enganaram a população no passado, e tenta vender uma nova ilusão aos trofenses de que obtiveram dos deputados laranjas no Parlamento a “garantia que o Metro até à Trofa é uma prioridade absoluta” e que “não se realiza mais nenhuma obra do Metro no País sem a construção da linha do metro até ao Muro“. Interessantes estas declarações, principalmente se tivermos em conta que, segundo a lista apresentada no ano passado por este governo sobre os investimentos prioritários para a economia nacional não existe qualquer referência à extensão do metro até à Trofa, apesar de prever a renovação da linha de Cascais e a extensão até à Reboleira do metro de Lisboa. Há algo aqui que não bate certo e esse algo tem um nome: eleitoralismo.

Sabemos que a missão de se reeleger será algo complicada para o actual governo, pelo que promessas infundadas e sem qualquer valor serão o prato forte dos próximos meses. Paleio bonito e politicamente correcto de quem prometeu e nada fez ainda poderá enganar alguns mas não enganará com certeza a todos. Os trofenses, e em particular a população do Muro, já estão fartos de ser manipulados por propaganda política e os sucessivos boicotes eleitorais são prova disso mesmo. E mesmo assim, o PSD Trofa insiste no argumento vazio de que não aprovaram a proposta do PCP porque se quererem afastar de eleitoralismos quando este comunicado é ilustrativo da caça ao voto em curso. Falam em “política de verdade” ou “transparência” quando verdade e transparência estiveram, ao longo dos anos, praticamente ausentes desta discussão, com significativas responsabilidades para o seu partido. Acusam o PS Trofa de enganar os trofenses quando também eles nos enganaram. E fazem-no sabendo que, caso percam as eleições, poderão sempre assobiar para o lado e continuar a narrativa que coloca a exclusividade da culpa sobre o PS. Eleitoralismo e aproveitamento político descarados, nada de novo.

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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