Trilogia da Assembleia de Freguesia de Bougado – Parte I: Apresentação de contas de 2014 e a falta de clareza

por João Pedro Costa 0

por: João Pedro Costa*

Decorreu, no passado dia 23 de abril, a Assembleia de Freguesia de Bougado (S.Martinho e Santiago) para a qual, como mero participante, levava grandes expectativas para este importante ato público do órgão deliberativo máximo da freguesia onde resido, voto, e por isso, também sou responsável.

Da assembleia, constavam 5 pontos para a “ordem do dia” (previamente estabelecidos), tendo sido introduzido um 6º, de forma extemporânea e no início da assembleia, aceite pela mesa que dirigia os trabalhos. Este facto, desde logo revelou “mau trabalho de casa” do executivo, que se esqueceu de fazer uma convocatória completa, tendo necessidade de recorrer a uma autorização especial para tratar todos os assuntos de interesse para os bougadenses.

Para os que, como eu, participaram na condição de “público em geral” não foi disponibilizado qualquer documento sobre os temas em apreço. O conteúdo dos documentos eram “propriedade” apenas dos partidos políticos com assento, o que transformou os restantes em meros figurantes como se de uma peça de teatro se tratasse! Tal situação “possessiva”, que limita o conhecimento documental, limita também a participação desejável dos bougadenses na vida ativa da freguesia e retira adesão, comprovada pela mísera meia centena de pessoas presentes.

Subiu ao palanque o ator principal e Presidente da Junta, Luís Paulo, que em relato evasivo, ao estilo de quem estava a ler os títulos de um jornal, elencou as atividades desenvolvidas e, mais ou menos, as verbas gastas – fiquei a perceber o mesmo! Seguiu-se o tesoureiro, para complementar a exposição: referindo-se a percentagens, sei lá de quê, por entre rubricas agregadas que nada permitiu concluir aos presentes. Mas vá lá, deu para extrair que o orçamento foi de quase 1.000.000 de euros e que, as contas estão bem!

Importa esclarecer que a clareza da apresentação das contas está ferida à nascença, através da adoção de um sistema de escrituração designado de “POCAL Simplificado” que, embora de acordo com o preceituado legalmente, dificulta a interpretação, mesmo a um técnico mais experimentado. Impõem-se portanto, em abono da referida transparência, uma explicação mais minuciosa e concreta das rubricas, não abordando os assuntos pela rama como se a plateia fosse composta por ilustres ignorantes. A frase “ fazemos o melhor que podemos”, utilizada pelo presidente Luís Paulo, não deve por isso caber no discurso de quem tem responsabilidades pelos destinos de uma freguesia com mais de 20.000 habitantes (segundo censos de 2011) e que, corresponde a mais de 50% do concelho da Trofa.

Não colocando em causa a idoneidade de qualquer uma das pessoas do executivo da JFB, que tenho como pessoas sérias e de grande respeitabilidade, exige-se no entanto mais preparação, mais conhecimento, mais profissionalismo e o cumprimento da transparência prometida em campanha! Como diz o povo “à mulher de César não basta ser honesta, tem que parecer honesta”.

Pedi e obtive os documentos da assembleia, pelo que mais tarde abordarei:

Parte II – “A prioridade social, prometida e esquecida!”

Parte III – “O estranho regulamento para vendedores ambulantes de lotarias”

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Originalmente publicado no jornal O Notícias da Trofa

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