A incongruência ideológica do Dr. Moreira da Silva

por João Mendes 0

O mais destacado opinion maker da direita trofense é, sem sombra de dúvidas, o professor doutor José Maria Moreira da Silva. Dono de um vasto curriculum académico e personalidade incontornável da luta pela elevação a concelho, processo no qual teve um papel fundamental, Moreira da Silva é o mais antigo comentador d’O Notícias da Trofa. Como leitor do semanário trofense, vou acompanhando as crónicas do professor e, entre concordâncias e discordâncias, foi com alguma perplexidade que me deparei com duas situações que me causaram alguma estranheza.

CHinese President Xi in Portugal

No seu artigo da passada semana n’O Notícias da Trofa, Moreira da Silva cavalgou uma onda que os vários comentadores políticos afectos à direita nacional tinham já cavalgado durante duas semanas, desde as declarações polémicas de António Costa no dia 19 de Fevereiro. Apesar de ser uma gaffe óbvia, que qualquer pessoa de bom senso percebe que foi instrumentalizada em função dos interesses eleitorais dos partidos que compõem a maioria, e que inclusive já deu lugar a uma tomada de posição da Liga dos Chineses em Portugal que acusou políticos e imprensa de manipular e descontextualizar as declarações de António Costa, o professor Moreira da Silva alinhou por este diapasão enviesado. Apesar de legítimo, só me é possível compreender tal insensatez à luz de pressupostos ideológicos.

Contudo, verdadeiramente curioso foi ver um comentador que tende a atacar, com musculada ferocidade, tudo o que mexe à esquerda do espectro e que cita Thatcher para afirmar que “o socialismo dura até acabar os dinheiro dos outros a fazer o elogio das várias privatizações (EDP, REN, Caixa Seguros) agora nas mãos de membros e entidades afectas ao Partido Comunista Chinês, o partido único da China que governa aquele país de forma anti-democrática e repressiva. Apesar de não esconder a sua profunda aversão a modelos governativos de esquerda, o professor Moreira da Silva parece ver com bons olhos a alienação de património estratégico nacional a empresas estatais de um estado de matriz comunista que é hoje um híbrido que combina práticas ditatoriais da esquerda totalitária com o que de mais selvagem tem o capitalismo neoliberal.

No fundo, a incongruência que entendo existir neste raciocínio do professor Moreira da Silva reflecte a posição de determinados sectores da direita nacional que não hesitam em atacar com violência governos como o venezuelano mas que se abstêm de críticas perante as múltiplas visitas de Paulo Portas a Caracas para lucrativos negócios com o regime de Nicolás Maduro. Os mesmos que elogiam a entrada de capital chinês no sector empresarial do estado em permanente situação de saldos, apesar da matriz radical e violadora dos direitos humanos que impera na China. Será que o critério economicista se sobrepõe a tudo? Curioso como um democrata-cristão tão crítico do lado esquerdo do espectro político-partidário consegue ser tão tolerante para com um dos estados de esquerda mais extremistas que existem.


João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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