Diz que é uma espécie de variante

por João Mendes 0

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Quem leu o programa eleitoral da coligação Unidos pela Trofa saberá que o seu primeiro ponto, inserido no eixo técnico da estratégia do actual executivo, dizia respeito à questão das acessibilidades. Trivialidades à parte, até porque toda a gente conhece os problemas que as fracas acessibilidades do concelho representam, não só para a população local mas também para as milhares de pessoas que todos os dias atravessam o nosso território, cujo contexto geográfico nos coloca numa posição de centralidade que torna toda esta problemática ainda mais crítica, o programa da coligação tem sido particularmente bem sucedido na questão das acessibilidades rodoviárias, até porque a questão do metro continua sem ter ainda solução à vista.

De uma assentada, o executivo liderado por Sérgio Humberto prepara-se para cumprir duas das promessas eleitorais a que se propôs, a construção de uma nova ponte sobre o Rio Ave e a construção da tão aguardada variante à EN14, rebaptizada de “circular”, que apesar de se apresentar como uma versão bastante diferente da inicial, mais curta, com maiores limitações e longe do projecto que nos foi prometido, não deixa de ser uma solução que permitirá que o centro da Trofa por onde a EN14 passa, local onde os constrangimentos sempre foram mais sentidos, possa respirar após anos de estrangulamento. Apesar dos avanços e recuos de Bruxelas e Lisboa, factos a que fiz referência neste espaço em Abril de 2014, a obra parece preparada para finalmente avançar. A menos que sejamos confrontados com o “efeito Ana Paula Vitorino” claro. Não seria a primeira vez.

É importante realçar que a questão das acessibilidades continua a ser a área onde mais avanços foram obtidos pelo actual executivo, que para além das duas questões citadas tem vindo a levar a cabo um conjunto de obras na via pública que, apesar de existirem ainda vários problemas para resolver, nomeadamente no interior das freguesias, representam um enorme avanço sem precedentes no nosso concelho. Sobre o tema já me pronuncieiaqui pelo que não me alongarei mais.

Regressando a esta espécie de variante-circular que o governo apresentou à elite política e empresarial da cidade sob fortes medidas de segurança e sem espaço para todos os que quiseram assistir, antecipado por aquele toque de secretismo habitualmente presente nas aparições de Pedro Passos Coelho na Trofa, o projecto poderá ser consultado nos diferentes links disponibilizados pelas autoridades competentes. Para mais informação podem aceder aqui para o detalhe do projecto e aqui para as notícias publicadas ma imprensa nacional a propósito da apresentação do projecto. Nas páginas do Notícias da Trofa e do Correio da Trofa poderão também encontrar bastante informação alusiva ao projecto.

Eu, como funcionário da Embaixada do Contra na Trofa, irei aludir a dois outros aspectos menos desenvolvidos na comunicação social e na informação disponibilizada pela CMT. Em primeiro lugar, a questão eleitoralista, sobre a qual já aqui falei a 4 de Fevereiro. O calendário da execução, apresentado na cerimónia, iniciará em cima das Legislativas e terminará em cima das próximas Autárquicas.  Passos Coelho nunca se está a “lixar” para as eleições. E se dúvidas restassem, as recentes movimentações governamentais são a prova viva disso mesmo. Quem acredita que estas coisas avançam sem o habitual piscar de olho ao voto que se desengane. Isso, meus caros, não existe.

Em segundo lugar, outro aspecto que me parece relevante tem a ver com o facto do trânsito ser desviado para uma zona que assume, progressivamente, uma situação de centralidade no centro da Trofa. Desviar o tráfego para a actual Avenida 19 de Novembro, junto da E.B. 2/3 Napoleão Sousa Marques, irá criar novos congestionamentos, sendo que existe a possibilidade daquela zona se transformar num novo Catulo como já vi ser escrito por aí. Que desafios nos apresentará esta situação no futuro?

Para terminar, queria reforçar que, não sendo a solução que nos prometeram e que melhor serve os interesses do nosso concelho, a solução agora apresentada é uma lufada de ar fresco e uma alternativa que permitirá desanuviar a problemática EN14. E enquanto alguns, que nada fizeram quando o governo nacional era da sua cor, se colocam em bicos de pés para protestar, Sérgio Humberto consegue aqui uma grande vitória que, sendo conveniente para as aspirações do governo Passos Coelho, parece ser a solução possível e, convenhamos, mais que bem-vinda. Num país onde a palavra da classe política vale cada vez menos, uma variante que se transforma numa pequena circular não é algo que nos deva surpreender.




João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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