Uma vez mais envolto em secretismo, o ilusionista eleitoral está de volta

por João Mendes 0

A 21 de Janeiro de 2014, escrevi neste espaço sobre a vinda de Passos Coelho à Trofa e sobre o secretismo que envolveu a sua visita ao nosso concelho. Na altura, a visita do primeiro-ministro revestiu-se de natureza partidária, apesar do consumo de recursos públicos. Um ano e uma semana mais tarde, descubro que Passos Coelho regressa à Trofa, mas desta vez na qualidade de primeiro-ministro em pré-campanha eleitoral. Vá lá que o S. Gonçalo já foi no fim-de-semana passado, não vá algum romeiro ser confundido com um terrorista.

O motivo, ao que tudo indica, prende-se desta vez com a apresentação do projecto da variante à Estrada Nacional 14. O secretismo, esse, manteve-se. Mas se há um ano atrás o silêncio das hostes sociais-democratas era mais compreensível, dada a natureza interna do acontecimento, desta vez, e por ser um tema de interesse público, não se compreende que nem uma palavra tenha sido dita nas redes sociais que este executivo,pela voz do nosso presidente, afirma ser meio privilegiado de comunicar com a população. Até porque, quero acreditar, qualquer trofense, enquanto houver espaço no auditório da AEBA, deve ter o direito de aceder à apresentação do projecto. Afinal de contas, somos todos cidadãos de pleno direito certo? Ou será que o silêncio sobre tão distinta visita será um novo convite à não-participação?

Estou expectante quanto ao que lá irá ser dito. Mais expectante ainda para verificar que estamos, finalmente, perante uma evidência e não perante outra jogada eleitoral do estilo do cartaz que o executivo liderado por Bernardino Vasconcelos espalhou em tempos pela Trofa onde se podia ler “Metro: Resolvido” ou mesmo da saudosa vinda de Ana Paula Vitorino à Trofa, também para nos dar conta da vinda do metro para o concelho, pela mão do governo liderado pelo agora preso nº44 do Estabelecimento Prisional de Évora. Ambos os teatros foram bem encenados, já o metro continua parado no concelho da Maia.

Que a Trofa e os concelhos vizinhos vêm lutando por esta realidade há já muitos anos não é novidade para ninguém. Que PS e PSD vêm bloqueando iniciativas parlamentares para fazer andar a obra, dependendo de qual deles se encontra no governo da nação também não. Mas se as notícias contraditórias, como aquela que deu conta, em Abril de 2014, que a UE não estava disposta a financiar a variante, ou aquela outra que, por altura da visita de Passos Coelho a Famalicão no passado mês de Outubro, citava um primeiro-ministro que afirmava já existir uma solução para o problema “que não é aquela que foi apresentada durante muitos anos como a solução final porque não há dinheiro para a realizar“, as dúvidas que se levantam são muitas. Que solução será afinal? Uma variante ou um remendo? Teremos que aguardar por Sábado. Estou esperançado que desta vez é que é e espero, acima de tudo, que o pedido do PCP seja atendido e que seja disponibilizada à população a devida calendarização da obra, seja ela qual for.

Anos de eleições, principalmente Legislativas, são sempre anos de fartura. Pelo menos no papel. Há festa rija, porcos no espeto e muita música popular no centro de cada cidade. Sempre com o alto patrocínio dos nossos impostos. Também se ouvem muitas promessas mas, como sabemos, e como Passos Coelho deixou claro em 2011, a maior parte delas, nomeadamente as que versam sobre descidas de impostos, criação de emprego ou melhorias nas valências do estado social, costumam cair em saco roto. Eles sabem que as podem usar e que as podem deixar cair sem que se faça com isso muito alarido. Esta no nosso ADN deixar passar, é a nossa tão doce mansidão. Com ou sem variante, Passos Coelho levará, com toda a certeza, uma boa quantidade de votos de volta para Lisboa. Afinal de contas, não é disso que se trata quando se anda em campanha?

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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