Peculiaridades sobre o dia da Independência

por João Mendes 0

(foto: Facebook JS Trofa)

O Dia da Independência, como eu gosto de chamar ao nosso 19 de Novembro, é sempre um dia marcado por peculiaridades político partidárias. No ano passado, o executivo trouxe cá o pai da Trofa versão PSD, Luís Marques Mendes, porta-voz não oficial do governo na SIC e sócio de empresas suspeitas de esquemas variados, protegido pelo mesmo sistema que protege todos os poderosos deste país: a impunidade.

Sempre achei piada ao mito do pai da Trofa, uma fábula social-democrata que não passa disso mesmo: uma fábula. Um concelho que teve na sua génese, não só os anseios de uma população corajosa como um grupo de bravos que se fez comissão instaladora e que estruturou esses anseios, não precisa de um antigo líder parlamentar que mais não fez que executar uma estratégia que servia o seu partido e não a Trofa para pai. Não me farto de repetir isto: se a câmara de Santo Tirso fosse PSD, o PSD de Marques Mendes NUNCA teria apoiado a criação do concelho da Trofa pois isso enfraquecia a sua posição. Isto não invalida que toda a qualquer ovelhita queira comer todo e qualquer pasto. São opções e o que mais por aqui há são pessoas que se transformam em moluscos quando se colocam no papel ridículo de defender o indefensável. Não admira que, no dia 19 de Novembro, alguns desses seres vivos tenham espalhado sincronizadamente um vídeo da TrofaTV onde podemos ver a votação da proposta de criação do concelho no Parlamento. Nem no dia do aniversário do concelho têm a decência de deixar a propaganda contra o PS de lado.

Este ano, em vez de uma patetice mitológica, o executivo camarário esteve perto de levar a cabo uma grave ofensa às muitas pessoas que, não sendo do nosso concelho, lutaram por ele. E tal só não foi avante porque os vereadores socialistas chumbaram a proposta. Pretendia então o executivo camarário agraciar o secretário de Estado centrista João Almeida com o título de cidadão honorário trofense. Trata-se de um actor político que nunca, repito, nunca fez nada pelo nosso concelho que seja digno de tal distinção. Pela coligação até fez na medida em que veio cá dar dois dedos de propaganda eleitoral na recente campanha autárquica mas é importante não esquecer que a coligação não é nem representa todo o concelho pelo que se pretendem agradecer por algum favor específico, que o façam com alguma espécie de militância honorária do PSD Trofa, já que do CDS-PP ele já é. Assim fica tudo entre amigos e a Trofa enquanto concelho não tem que fazer agradecimentos formais em nome dos partidos no poder. Se querem cidadãos honorários, talvez devam escolher alguém que tenha feito alguma coisa pelo nosso concelho e não pelos seus partidos.

A ver vamos como isto evolui no próximo ano. Depois do “pai” Marques Mendes e do cidadão honorário João Almeida, temo que no próximo ano estejamos a condecorar Passos Coelho por boas práticas de lobbying. Será que ele já abriu alguma porta na Trofa? Portas não sei, mas a nível de variantes não está fácil… De qualquer forma, e pegando nos dois exemplos anteriores, parece que o critério se resume mesmo a não fazer rigorosamente nada pelo concelho pelo que em princípio deve haver enquadramento.

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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