Eu não quero ser representado por um aldrabão. Você quer?

por João Mendes 0

Em semana de esclarecimentos no E a Trofa é Minha, vou aproveitar a deixa para fazer um que me parece bastante pertinente, não só porque decorre de diferentes chamadas de atenção da parte de pessoas pelas quais tenho elevada consideração e junto das quais procuro, sempre que necessário, aconselhar-me, mas porque as questões destas pessoas podem ser as questões de muitos dos leitores deste blogue, nomeadamente aqueles que têm acompanhado as publicações referentes ao tema em questão. Perante a possibilidade de poder ser mal interpretado no que a este tema diz respeito, vou clarificar da melhor maneira possível.

Se pessoas da JSD Trofa, da JS Trofa, do café da esquina ou do grupo de catequese querem andar ao soco e ao pontapé para resolver problemas que não conseguem resolver de forma civilizada, o problema é deles. Não me parece ser a melhor maneira de resolver esses mesmos problemas, não me parece sequer que resolva o que quer que seja, mas é uma opção da qual dispõem, independentemente dos juízos de valor que possamos fazer. Afinal de contas, antes de pertencerem a estas ou outras organizações, é de pessoas que estamos a falar. E o livre-arbítrio, bem como a responsabilização legal pelas nossas acções são pedras basilares da democracia. Querem andar ao soco para ver que é o maior? Façam o favor! Vão arcar com consequências fruto desses comportamentos? Com certeza. Deal with it!

Acontece que, no caso da porrada entre os jotas, existe um “detalhe” que muda completamente este cenário. É que os envolvidos tornaram este caso público através das estruturas que integram, emitindo comunicados nos seus blogues e páginas de Facebook em nome dessas mesmas estruturas e não a título individual, fazendo deste caso um caso de âmbito político-partidário, sendo que a JSD Trofa relacionou mesmo o episódio com o desaparecimento dos seus cartazes de campanha relativos aos buracos nas estradas do concelho. Ora quando um tema destes sai da esfera pessoal para ser integrado na dimensão partidária, o tema passa a dizer respeito a todos os trofenses, por se tratar de partidos com responsabilidades governativas no concelho em quem a maioria dos trofenses votaram. É bom não esquecer que quase todos os envolvidos, apesar de militarem nas jotas e não nos “seniores” dos partidos, desempenham funções na Assembleia Municipal, Assembleia de Freguesia e nas estruturas de partidos financiados directamente pelos nossos impostos. Se se lembram de andar à porrada no meio da rua e depois emitem declarações contraditórias com objectivos eleitoralistas que implicamobrigatoriamente que uma parte esteja a mentir, então existem ilações e consequências a tirar deste caso. Eu não quero ser representado por alguém que participa na instigação da violência física em praça pública e que depois mente com todos os dentes que têm na boca para manter aparências. E duvido que Trofense algum queira. São comportamentos que podem e devem ser denunciados.

Mas isto não fica por aqui. O poder das jotas é tal que os seus líderes têm assento permanente no Conselho Municipal da Juventude (CMJ), independentemente de serem arruaceiros ou pessoas que mentem por imperativos de propaganda política. Um óptimo exemplo para os nossos jovens. Nessa qualidade (de lideres da jota, não de arruaceiros ou aldrabões pois, como sabemos, e apesar de não sabermos ainda qual, há um que está a mentir descaradamente), dois dos envolvidos no incidente, Sofia Matos e Amadeu Dias, têm assento permanente do CMJ. Quer isto dizer que existe uma pessoa que ajudou a arquitectar uma espera ou uma perseguição, que participou activamente na invenção de uma mentira grave para justificar os seus comportamentos e que tem a distinta cara-de-pau para se continuar a fazer de vítima apesar da sua desonestidade gritante neste caso que integra um órgão público que representa os interesses dos jovens deste concelho. E isto não é admissível numa sociedade civilizada.

Se a historia se repetir como habitualmente faz, daqui por uns 15 ou 19 anos um destes dois jovens, talvez os dois, estarão frente a frente a discutir a presidência da Câmara Municipal da Trofa. Se o aldrabão deste caso for eleito, tal não augura grandes perspectivas de futuro. Uma pessoa que é capaz de participar numa mentira desta envergadura pode ser capaz de muito pior. Pode ser capaz de não olhar a meios para atingir fins. Para além de que é um espelho do que de pior se faz na política nacional: instigar a confusão, mentir, manipular e fazer papel de vítima. Eu luto contra isto, agora e sempre, porque estou farto de políticos sem espinha dorsal, farto de mentiras, farto de manipuladores com pele de cordeiro que nos engraxam com hipocrisia quando estão em campanha mas que estão dispostos a tudo para se manterem ou obterem o poder. Essas pessoas representam o retrocesso, representam o estado deste país permanentemente a bater no fundo com uma classe política corrupta, desonesta e incompetente. Não sabemos quem está a mentir, mas espero que, no dia em que soubermos, se algum dia viermos a saber, que exista a coragem e a determinação para tomar as medidas necessárias sem panos quentes. É preciso respeitar os Trofenses e, no capítulo do respeito, não existe meio termo. Pessoas assim não são dignas de exercer funções em cargos públicos. Pelo menos em democracias.

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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