Estranha forma de orgulho trofense

por João Mendes 0

Nota Prévia: muito curioso para saber o que terão os militantes e simpatizantes do PSD/JSD Trofa a dizer sobre este caso, tendo em conta os elevados níveis de (falso?) moralismo com que condenaram o executivo de Joana Lima no passado e considerando a forte disseminação do vídeo em cima que foi partilhado 68 vezes durante a campanha para as Autárquicas 2013. É que ainda há buracos para tapar neste concelho e 20 mil euros devem dar para tapar alguns… Vá, não se acanhem, provem que a vossa indignação era genuína e não motivada por eleitoralismos!

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Lembram-se das críticas de parte significativa da direita trofense, hoje instalada no poder, que apontava o dedo às supostas ligações entre o executivo de Joana Lima e o Notícias da Trofa? Lembram-se das permanentes críticas à suposta rede clientelista que gravitava em torno de Joana Lima e que, à excepção de uns quantos tachos para abanadores de bandeiras, uma parte muito significativa nunca passou do campo das suposições? Pois bem, o que vos trago hoje não é uma suposição. É um facto consumado de favorecimento da Câmara Municipal da Trofa aos proprietários do jornal Correio da Trofa.

Criado no período de pré-campanha eleitoral autárquica, supostamente pela máquina de comunicação da coligação PSD/CDS, facto que de resto nunca foi desmentido pela própria coligação, o Correio da Trofa foi um órgão polémico desde a sua criação, nomeadamente pela forma como distribuiu o seu tempo de antena entre a coligação, o Partido Socialista e os opositores do Partido Socialista. Sempre brando com a coligação, sempre violento com o PS, ainda hoje é comum ver editorais onde Joana Lima continua a ser o alvo a abater. De qualquer forma, os critérios editoriais são da responsabilidade de quem gere o jornal. Já aquilo que ele transmite é passível de toda a qualquer interpretação por parte de quem o lê.

Acontece que chegou ao conhecimento deste blog um contrato celebrado em Agosto entre a CMT e a empresa Flexisílaba Publicações Lda., proprietária do Correio da Trofa. Um contrato por ajuste directo no valor de 19.455,08€, ao qual acresce o valor do IVA, para a concessão de uma revista – Inforede – e para o lançamento de um concurso de fotografia. No total, estamos a falar de um valor superior a 20 mil euros que foi atribuído, sem concurso, a uma entidade com claras ligações ao executivo liderado por Sérgio Humberto.

Porque é que, apesar de totalmente legal, toda esta situação é gravíssima? Por muitos motivos e, convenhamos, o valor envolvido é o menor de todos eles:

1.Porque nos foi prometida uma forma diferente de fazer política e não um regresso ao passado;

2.Porque a modalidade de ajuste directo retirou qualquer outra entidade trofense da corrida (a Flexisílaba era uma empresa da Maia que, por motivos mais óbvios agora, se acabou por instalar na Trofa, no edifício que serviu de sede de campanha da coligação), tendo sido dada preferência a pessoas próximas dos actuais titulares do poder político em detrimento de um concurso público que oferecesse oportunidades iguais aos vários profissionais destas áreas que vivem neste concelho;

3.Porque depois de tantos ataques aos supostos favorecimentos levados a cabo pelo anterior executivo somos brindados com um exemplo claro de favorecimento por parte das mesmas pessoas que os condenaram no passado;

4.Porque tudo isto não bate certo com a retórica centrada em valores de ética e moral que nos foi “vendida” em campanha;

5.Porque o dinheiro dos contribuintes não é da coligação Unidos pela Trofa.

Posto isto, e sem a mínima esperança de obter resposta dos moralistas do passado, gostava de saber o que têm a dizer todos aqueles que não perderam uma oportunidade de atacar o anterior executivo sempre que qualquer notícia ou boato, manipulado ou não, veio à superfície e o envolveu em práticas menos transparentes com amigos à mistura. Será que estavam verdadeiramente preocupados com a possibilidade do o nosso concelho estar a ser prejudicado ou apenas empenhados numa estratégia para denegrir a antiga presidente? Porque se, perante esta revelação, estas pessoas se remeterem ao silêncio cúmplice, então penso não haver dúvidas quanto às suas motivações: partido primeiro, Trofa depois.

Os trofenses merecem mais do que isto. Pessoas do PSD/JSD, actualmente a ocupar cargos públicos, que “atiraram” sem dó nem piedade sobre o executivo de Joana Lima devido a situações semelhantes à aqui descrita e que agora se remetam a um silêncio cobarde quando o seu partido envereda pelo mesmo tipo de comportamentos não servem os interesses do nosso concelho e devem ser chamados a responder perante os seus munícipes porque não foi a isto que nos disseram que vinham nem foi nisso que os 10092 eleitores que colocaram o PSD/CDS no poder votaram. Ou nos representam a nós, ou representam outros interesses. Não há nem pode haver meio termo.

Ah, o “orgulho trofense“…

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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