As lavagens de roupa suja do costume

por Silvéria Miranda 0

(Nota prévia: Este é um tema sensível. Espero que o tratem com seriedade e respeito. Assim o procurei fazer no texto que se segue.)

Como a maioria de vocês deve saber, um assunto que deu que falar na Trofa recentemente foi a questão da transladação de corpos no cemitério de São Bartolomeu, em São Romão do Coronado. Para aqueles que eventualmente não saibam do que se trata, assim muito resumidamente, parece que uma jovem chamada Susana Ferreira (SF) se deslocou a esse cemitério no dia 4 de setembro e encontrou os coveiros da zona a movimentarem um corpo em avançado estado de decomposição num carrinho de mão, tendo, inclusive, visto partes do corpo do cadáver. Isto, claro, segundo SF. A família da falecida, cujo corpo estava a ser transportado, já veio desmentir Susana Ferreira, dizendo que este processo foi feito com o consentimento da família e até com a presença de alguns dos seus elementos, havendo todo o respeito possível e necessário numa situação destas. Ainda fiquei à espera de mais desenvolvimentos sobre este assunto nos dias que se seguiram, mas talvez seja melhor esperar sentada…

Posto isto, primeiro gostaria de dizer que se deve sempre respeitar os mortos. Sejam eles quem forem. Esta pessoa não pediu para ser tema de conversa e já basta a família da senhora, seja ela também qual for, ter que passar por um triste processo destes, tenha a morte ocorrido há 20 dias ou há 20 anos, para agora ainda ter que ouvir dizer estas coisas,algumas até com algum humor (negro).

Em segundo lugar, e por muito que o presidente desta Junta de Freguesia não seja pessoa de sorriso fácil ao contrário de outros presidentes, parece-vos mesmo que ele se sujeitaria, conscientemente, aos problemas que uma transladação mal feita pudesse levantar? Acham que ele não entraria em contacto com as famílias antecipadamente? Mais, acham que se ele não entrasse em contacto com esta família ou com qualquer outra cujos familiares foram transladados que essas pessoas não viriam a saber ou ficariam quietas ao saberem? Num meio pequeno como São Romão? Estas senhoras que falam no vídeo da TrofaTv parece-vos que teriam um discurso tão coerente e que estariam do lado do presidente se ele desrespeitasse com conhecimento de causa a sua falecida mãe/avó? A mim não me parece. Mas a minha opinião vale o que vale.

Por outro lado, atentem no discurso da menina SF que foi “com tranquilidade” ao cemitério nesse passado dia 4 de setembro e cuja tranquilidade lhe foi retirada e substituída por falta de apetite e insónias. E depois reparem também no discurso do senhor Ricardo Teixeira (aqui a partir de 1:25 e aqui a partir de 6:40), que não conhecia SF “de lado nenhum”, que no primeiro vídeo até tinha ido ao funeral de uma das pessoas cujos corpos foram transladados supostamente em Novembro último e que no segundo vídeo já só verificou isso sabe-se lá quando . Ou o corpo a que estas duas pessoas se referem não é o mesmo de que fala a família entrevistada pela TrofaTv ou então a história está mal contada…

Depois, temos ainda o actual presidente da Junta, José Ferreira, que acusa o filho do ex-presidente da Junta de São Romão  (que, adivinhem só, é, segundo o discurso do senhor presidente que O Notícias da Trofa citou,  namorado de Susana Ferreira – e nisto já me baralhei toda!) de o querer atacar a ele e, por A mais B, José Ferreira diz basicamente para esse senhor olhar para o trabalho (mal feito) do seu pai naquele cemitério… Há sempre muita roupa suja para lavar!

Só uma das partes pode estar a dizer a verdade, como devem calcular. Quem? Como também devem calcular nunca o vamos saber… O típico. Porém, é muito, muito feio fazer politiquices às custas de pessoas que nada têm que ver com partidos políticos. É muito, muito feio vir lavar-se roupa suja em público e meter ao barulho pessoas que já nem sequer estão vivas. Haja respeito.

Silvéria Miranda

Sempre tive como velha máxima que os factos são sagrados e as opiniões livres. Foi com essa premissa que criámos este espaço e é por ela que me rejo em cada palavra que aqui escrevo. Sem qualquer interesse que não o de ajudar a construir uma Trofa melhor, mais justa e apelativa, digo orgulhosamente que sou tanto da Trofa como a Trofa é minha!

Comentários

Deixar um comentário

Faça Login para comentar.