O princípio do fim dos maus cheiros?

por João Mendes 0

(Foto: O Notícias da Trofa)

Parece ser o princípio do fim de um problema que já tem barbas e que nem Bernardino Vasconcelos ou Joana Lima conseguiram ou quiseram resolver. Vai demorar meses a ser concretizado mas o primeiro passo está dado após a assinatura, na passada semana, de um aditamento ao Contrato de Conformidade Ambiental entre a CMT, a Agência Portuguesa do Ambiente, a Águas do Noroeste, a Trofáguas e a Savinor. Falo-vos obviamente dos cheiros nauseabundos emitidos há cerca de 30 anos pela Savinor, aquele cheiro nojento que ainda afecta as populações dos Coronados e todo aquele que passa frequentemente na A3. Entre outros.

Eu tenho 30 anos. E 30 anos já é algum tempo. Como é que é possível demorar 30 anos a resolver uma coisa destas? Como foi possível sujeitar tanta gente a este odor tão insuportável durante tanto tempo? Quando leio as declarações de João Pedro Azevedo, presidente do Conselho de Administração da Savinor, a afirmar que este desfecho corresponde a “um anseio antigo desta administração” fico com a sensação que se está a gozar com a população da Trofa. Se tal afirmação correspondesse à verdade, então o problema há muito que estaria resolvido. 30 anos é efectivamente algum tempo. E mesmo assim ainda demorará pelo menos um ano e meio até se ver luz ao fundo do túnel.

A confirmar-se, trata-se de uma grande vitória para o executivo liderado por Sérgio Humberto, que acrescenta esta a uma já extensa e interessante lista de, parafraseando a presidente da Assembleia da República naqueles momentos de aparente embriaguez, “conseguimentos”. O autarca soma e segue e consegue aqui não só um importante triunfo político como também cumpre uma promessa eleitoral.

Claro que nem tudo são rosas e, do valor estimado para a intervenção, 2 milhões de euros, 25% será suportado pelos suspeitos do costume – nós – através dos 500 mil euros que serão comparticipados pela Trofáguas. O projecto passa por um processo de pré-tratamento de resíduos e pela ligação da Savinor a um interceptor, cuja construção ficará a cargo da autarquia trofense. Escusado será dizer quem irá também pagar esta parte.

Podemos portanto concluir que, à excepção do milhão e meio pago pela empresa responsável pelo cheiro nojento, toda a restante intervenção terá que ser paga pelos contribuintes. Se assim é, porque não arrancou mais cedo? O que faltou aos antecessores de Sérgio Humberto para resolver este problema? Terá sido intransigência da empresa ou falta de interesse dos autarcas anteriores?

E como estas coisas são sempre bonitas para a fotografia e para os jornais, o Ministro do Ambiente não deixou de comparecer e de largar umas pérolas para imortalizar o momento. Jorge Moreira da Silva, um famalicense, trouxe até nós a retórica da Economia Verde, da qual o ministro tanto gosta de falar mas que ainda não se vê. E não faltaram deambulações propagandísticas de onde gostaria de destacar aquela em que afirma que, apesar da recessão, os números do emprego verde aumentaram 8%. 8%? Face a que período? Em que termos é formulada esta comparação? Se se refere ao primeiro semestre de 2014 face ao período homologo de 2013, o que nos garante que os números de 2013 eram tão insignificantes que um aumento de 8% acaba por ser algo de residual? Falar de crescimentos, principalmente quando o emissor é membro de um governo que falha sucessivamente em praticamente todas as metas a que se propôs é sempre muito comovente.

A ver vamos como este processo se irá desenrolar e por quanto tempo mais iremos ter que aguentar com os maus cheiros. O primeiro passo está dado mas este é um país que não pára de nos surpreender no que toca a processos que andam para a frente e para trás. A Trofa vem sendo ambientalmente brutalizada desde há vários anos e pouco ou nada se fez para reverter esta situação. Ainda há um mês, numa rua que conheço bem, veio ao conhecimento público, através d’O Notícias da Trofa, uma situação que já se arrasta há vários anos. Política ambiental não se faz de cerimónias pomposas. É preciso acção enquanto é tempo.

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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