José Ferreira, um autarca indignado com elevação

por João Mendes 0

(foto: O Notícias da Trofa)

Foi com um misto de espanto e de satisfação que li a entrevista do presidente da junta da União de Freguesias do Coronado ao Notícias da Trofa no passado dia 11 de Agosto. É cada vez mais raro ler uma entrevista a um autarca que não assente fundamentalmente em ataques pessoais, passagem de culpas aos seus antecessores e azedume em geral. Foi refrescante e contrasta em absoluto com a entrevista dada por Luís Paulo, também ao Notícias da Trofa, focada essencialmente num ataque cerrado a José Sá e sobre a qual faleiaqui.

José Ferreira (JF), autarca da extinta freguesia de São Mamede do Coronado até às Autárquicas de 2013, mostra-se contente com o que considera ser um saldo positivo para os primeiros meses deste novo mandato, agora à frente de uma freguesia substancialmente maior, e refere o bom acolhimento de que tem sido alvo por parte das população da antiga freguesia de São Romão (JF é natural e antigo autarca de São Mamade). Quando questionado sobre os seus projectos para a nova freguesia, JF afirma que a fusão entre as duas freguesias é toda ela uma nova realidade que encerra em si só um projecto de readaptação. O que, convenhamos, faz todo o sentido.

Relativamente ainda ao ponto em cima, o autarca acrescenta ainda que tem como principais objectivos “dotar a freguesia do Coronado de melhor qualidade de vida e ajudar as pessoas a encontrarem soluções para os seus problemas“. O que no fundo é precisamente a função de um autarca: melhorar as condições de vida e dar resposta aos problemas dos seus cidadãos. Não sei se JF fez alguma promessa eleitoral disparatada e desonesta como outros no passado o fizeram, mas este tipo de discurso parece-me um excelente princípio.

JF aponta a falta de infraestruturas básicas como o saneamento e a rede de abastecimento de água e o mau estado da rede viária como principais dificuldades que se colocam ao seu mandato. Sobre a situação das estradas da freguesia, ao invés do habitual passa culpas PS/PSD, JF aponta baterias a todos os executivos pela inacção na resolução deste problema. Um lição para o comportamento de ovelha que habitualmente caracteriza este tipo de resposta.

Entre outras pequenas obras que pretende fazer, no apoio logístico que pretende disponibilizar às colectividades que desenvolvem trabalho nas áreas da Educação, Desporto e Cultura ou na recente criação de um Gabinete da Apoio Social para fazer face aos crescentes e variados pedidos de apoio dos habitantes da freguesia, existe apenas um momento em que o autarca aponta o dedo à CMT, e que diz respeito ao novo protocolo de delegação de competências que estabelece que a verba que vem sendo atribuída às freguesias para conservação das vias rodoviárias (no caso da UF Coronado ronda os 71 mil euros) passa a estar disponível apenas para as vias municipais. Isto coloca um óbvio problema para o executivo de JF que fica com a mesma migalha mas não a pode aplicar nas vias degradadas do interior da freguesia, entre outras necessidades referidas na entrevista.

A crítica não é indecorosa. Muito menos violenta. É um grito de alerta de um autarca com recursos limitados a quem são pedidos sacrifícios extra que, pelo que posso depreender das suas palavras, são incomportáveis para os cofres da freguesia. Perante esta situação, é fácil de compreender o chumbo do contrato interadministrativo de delegação de competências por parte do executivo do Coronado, ratificado em Assembleia de Freguesia. Ainda para mais quando à redução drástica das verbas disponíveis se junta a transferência da responsabilidade de pagar indemnizações resultantes dos danos causados em acidentes de viação que derivem do mau estado das estradas.

Depois da violenta campanha relativa ao mau estado da via pública orquestrada sectores da oposição a Joana Lima durante o mandato anterior, campanha essa que foi fundamental para desgastar a candidatura de Joana Lima e onde o termo “violento” assumiu uma expressão literal, é difícil de compreender este garrote que a CMT quer agora colocar na UF do Coronado. Uma freguesia da dimensão do Coronado merece e precisa de mais. E tudo isto me reporta para um post do blog da JSD de 24 de Julho de 2012 que perguntava “Será que Hoje as Juntas de Freguesia são tratadas sem descriminação?“. Vale a pena pensar nisto.

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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