O eterno arrastar da obra dos parques

por João Mendes 0

A passo de caracol, o parque vai ganhando forma e a obra parece estar mais perto da conclusão. Ontem caiu o viaduto sobre a linha do comboio, local onde passei milhares de vezes, a pé, de bicicleta ou de carro. Eu e a maioria daqueles que estiverem a ler isto. Mas apesar dos aparentes avanços, a obra parece não ter fim. E para mim e para a maioria daqueles que estiverem a ler isto, o usufruto do parque e a normalização do trânsito continuam lá longe. Ainda não vai ser neste Verão…

A obra de união e remodelação dos parques parece tirada de um filme, daqueles que passam quase todos os dias na sala de cinema Portugal: uma obra há muito anunciada, com muita instrumentalização política à mistura, debates acessos sobre a forma, resistência popular ao abate excessivo de árvores, amplificada por tácticas de propaganda com fins eleitoralistas, entrega da obra a uma empresa de Braga, com supostas ligações ao PS local, pelo estranho quinto melhor orçamento e derrapagens, variável comum em qualquer obra pública neste país, no seu modelo habitual: atraso na execução da obra, aumento da despesa/constrangimentos, perda de financiamento comunitário e novo aumento da despesa. Um cocktail de incompetência e permissividade para com a parte que se recusa alegremente a cumprir os prazos previstos contratualmente. Como se o próprio contrato não tivesse valor algum.

A questão da redução dos fundos comunitários, segundo Sérgio Humberto na ordem dos 50%, torna a situação substancialmente mais problemática. E como nem a obra vai ficar por terminar nem o dinheiro irá crescer numa árvore, alguém terá que pagar. E a menos que o actual executivo saque uma cartada da manga e traga alguma benesse pré-eleitoral de Lisboa, quem vai pagar a incompetência e os esquemas subterrâneos que permitiram a derrapagem em favor da construtora do quinto melhor orçamento somos nós. E como temos os impostos municipais no máximo, fruto da herança socrática de Bernardino Vasconcelos, a solução não poderá fugir muito a dois cenários “tradicionais”: cortes na despesa pública ou aumento do endividamento.

Revolta-me a incompetência de certos responsáveis políticos. Revolta-me mas não me admira, principalmente quando alguns deles nem português sabem falar ou escrever. A minha revolta, que deveria ser também a vossa pois parte de um problema que nos atinge a todos sem excepção, deveria dar origem a exigências de esclarecimento público. Não se compreendem estas derrapagens, não se compreende que se percam fundos comunitários por mera permissividade para com empresas contratadas que não cumprem aquilo que está contratualmente estipulado e não se compreende que a estupidez e a incompetência consigam chegar ao ponto de se construírem paragens de autocarro inacessíveis a deficientes motores. A estupidez tem limites. A nossa mansidão e tendência para sermos feitos otários também devia ter.

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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