Dos “almoços grátis” à luz que nos ilumina…

por Silvéria Miranda 0

Foto: Correio da Trofa

No passado dia 17 de abril, uma quinta-feira à noite, tive a oportunidade de estar presente em parte da Assembleia da União de Freguesias de Bougado. Tive pena de não poder assistir à Assembleia na sua totalidade porque, confesso, a páginas tantas já estava a perguntar à pessoa que estava ao meu lado se aquilo era uma Assembleia ou um episódio para os “Apanhados”.

Depois de uma intervenção algo confusa e enfadonha para o público por parte de um dos membros da bancada socialista sobre a correcção da acta anterior – algo que o Presidente da Mesa teve a inteligência de perceber e agilizar –, eis que o senhor Presidente da Junta, Luís Paulo, começa a fazer um balanço da actividade da Junta nos últimos meses, sobretudo no que diz respeito à Feira Anual e às campas do cemitério de São Martinho.

Até aqui, caros leitores, talvez vos pareça tudo bem. E até poderia ter estado. Acontece que o senhor presidente não só explicou que houve, nas palavras dele, uma redução de custos na ordem dos 60 mil euros em relação à Feira Anual do ano passado, como não poupou críticas ao anterior presidente, o senhor José Sá, que estava presente nesta Assembleia pela bancada do PS, e aí é que não foi nada bonito de se ver. Num “combate” altamente desigual – que eu nem preciso de vos explicar porquê, pois não? –, Luís Paulo acusou José Sá de, no tempo dele, no âmbito da Feira Anual, haver “almoços grátis” para toda a gente (mesmo para os funcionários que estavam a ser pagos para desempenharem determinada tarefa) e de se fazerem as reuniões com as associações em “restaurantes caros” em vez da própria Junta. Falou ainda de uma factura de cerca de 10 mil euros com a inexplicável descrição “extras”, bem como de stands iguais que foram arrendados por valores diferentes e ainda de algum material (como umas tábuas usadas para proteger o pico), que todos os anos era comprado e desaparecia após a Feira, sendo que podia ter sido reutilizado.

O mesmo em relação ao cemitério de São Martinho, onde Luís Paulo acusa José Sá de querer “fazer negócio”, procurando vender campas a familiares uma semana antes da tomada de posse do executivo de Luís Paulo, bem como da venda de campas a “jovens” com 40 anos.

Se tudo isto é verdade? Pois, não sei. São acusações muito graves e custa-me a crer que alguém as fizesse se não fossem verdade. Por outro lado, é a velha história: há coisas que o cidadão comum nunca saberá…

Contudo, e é aí que quero chegar, o tom utilizado foi notoriamente desproporcional à resposta que a outra parte evidentemente daria, até pelo temperamento mais calmo que caracteriza José Sá. Quando me vim embora, tirando a parte em que José Sá disse que nunca tinha visto um presidente em funções dirigir-se ao anterior naqueles modos, este nada mais acrescentou de especial à sua defesa. E agora, pelo que leio na comunicação social local (aqui e aqui), não deve ter acrescentado nada de muito mais significativo depois disso, para além de ter dito que iria processar o actual executivo.

Se, por um lado, achei a intervenção do actual presidente mais invasiva do que era necessária (sobretudo nas expressões utilizadas) tendo em conta o “outro lado”, por outro acho que não se deve conter só pelas fragilidades que possa encontrar na oposição, pois cabe à oposição escolher bem quem a representa.

Outra quase anedota, que eu não presenciei mas que agora leio no Correio da Trofa (p.5), prende-se com o facto de um dos membros do PS, Mário Moreira, dizer que o PS aprova as contas apresentadas por José António Barbosa, apesar de “poucos perceberem o que lá está”. Oi? Então não percebem mas aprovam? Ainda assim, refere que, se não há comparação com anos anteriores, não podem falar de reduções na ordem de x ou y, ao que Luís Paulo refere que não existem comparações porque a junção das freguesias é uma realidade nova. Pois…

Além disso, foi aprovado, com os votos da bancada do PSD, um empréstimo no valor de 4500 euros “como precaução”, o que o PS não entendeu e eu, sinceramente, também não, visto que a única dívida que a Junta tem neste momento é “a luz que está a consumir”…

Bem, no meio disto tudo, salvou-se o Presidente da Mesa, que pelo menos não tinha medo dos presentes como já aconteceu em ocasiões semelhantes noutros tempos!

____________

CORRECÇÃO – 30.04.2014

Fui chamada a atenção para o facto de ter interpretado mal o que li nos artigos presentes na comunicação social trofense acerca da aprovação ou não aprovação, por parte do PS, das contas referentes a 2013 apresentadas por António Barbosa nesta assembleia, chamada de atenção essa que agradeço. De facto, o PS não as aprovou, ao contrário do PSD, tendo antes optado pela abstenção. Corrijo esse lapso, mas mantenho a minha opinião. Se as contas “não estão certas” (diz Mário Moreira), não entendo como pode uma oposição não as chumbar, mesmo que com a maioria da Direita elas acabassem por ser aprovadas, mas há sempre justificações ocultas que eu nunca irei captar…

Silvéria Miranda

Sempre tive como velha máxima que os factos são sagrados e as opiniões livres. Foi com essa premissa que criámos este espaço e é por ela que me rejo em cada palavra que aqui escrevo. Sem qualquer interesse que não o de ajudar a construir uma Trofa melhor, mais justa e apelativa, digo orgulhosamente que sou tanto da Trofa como a Trofa é minha!

Comentários

Deixar um comentário

Faça Login para comentar.