Variante EN14: entre a constatação do óbvio e as manobras pré-eleitorais

por João Mendes 0

(Foto: O Notícias da Trofa)

O Governo reconheceu o óbvio: a variante à EN14 é uma infraestrutura prioritária para a economia nacional. Fico sempre muito comovido quando estas mentes doutas convocam grupos de trabalho para obter conclusões tão clarividentes. É bom sentir a atenção da opulenta elite política lisboeta para os problemas da região mais pobre da Península Ibérica.

Correndo o sério risco de estar enganado, estou certo de que esta obra irá avançar rapidamente. Mas desenganem-se aqueles que acreditam que os motivos primordiais por trás da mesma se prendem com a necessidade de criar melhores condições de vida para as populações da Maia, Trofa e Famalicão. Essa é apenas uma agradável consequência daquelas que entendo ser as duas principais razões para que tal se torne possível, e que passarei a explicar.

Em primeiro lugar, existe uma forte pressão por parte dos empresários locais, cuja rentabilidade e sustentabilidade são constantemente colocadas em causa pelo trânsito caótico, fundamentalmente aquele que se verifica entre a Trofa e Ribeirão. Sendo o sector industrial localizado na freguesia de Ribeirão de enorme dimensão, um dos mais importantes do país e com maior peso na economia nacional, era sabido que seria uma questão de tempo até que a obra avançasse. De qualquer forma, o coro popular que exige esta obra é puramente irrelevante face ao poder de lobby destes empresários. Ainda assim, esta é uma daquelas raras vezes em que o lobby empresarial acaba por ser proveitoso para todos nós. Go lobby go!

Em segundo lugar, e aqui entendo residir o factor determinante, 2015 será ano de eleições legislativasE como a política portuguesa é previsível e repetitiva, 2015 (e muito provavelmente a segunda metade de 2014) será um período dedicado às habituais descidas de impostos, arranque de obras há muito exigidas e outros mimos de uma classe política em frangalhos, sedenta por manter o poder o máximo de tempo possível. Com o eixo Maia-Trofa-Famalicão governado por autarcas sociais-democratas e o país horrivelmente gerido por um grupo de rapazes incompetentes de Lisboa a fazer tudo o que está ao seu alcance para renovar o poder, penso que estamos extremamente bem posicionados para conseguir aquilo que já há muito deveria ser uma realidade. O PSD quererá, com toda a certeza, fortalecer o eleitorado da nossa região e oferecer-lhes a já há muito aguardada variante renderá bastantes votos.

Claro que tudo isto poderá conduzir para uma narrativa das estruturas locais do PSD e CDS-PP no sentido de mostrar às populações que este governo incompetente e clientelista conseguiu avançar com a obra apesar dos condicionalismos que todos conhecemos. Cabe-nos relembrar-lhes que não estão a fazer mais do que a sua obrigação e que se não queriam governar limitados por esses condicionalismos, que ficassem em casa ou que deixassem as tarefas de gente crescida para gente crescida como a Dra. Ferreira Leite. Convém clarificar também que este não é o projecto inicial, que envolvia a criação de uma via equiparada a autoestrada, conforme é referido na peça do Notícias da Trofa, mas antes uma “intervenção localizada”, uma espécie de “remendo” que, sendo muito bem vindo, nunca será a solução óptima. Não será portanto por isso que o PSD (e o CDS-PP) deverá ser merecedor do voto dos trofenses, dos famalicenses ou dos maiatos. O trabalho deles é precisamente esse e, não estando bem, podem sempre apresentar a demissão ao senhor Aníbal do BPN.

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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