Trofa – Um Diamante em Bruto

por João Mendes 0

No passado dia 27 de Fevereiro, durante a sessão da Assembleia Municipal, foi apresentada a nova imagem corporativa do concelho da Trofa. Como não pude estar presente, falei com pessoas que lá estiveram e procurei mais alguma informação no O Notícias e no Correio da Trofa para tentar perceber um pouco melhor o que estava aqui em causa.

Fiquei a saber que existe um projecto de modernização administrativa em curso que engloba a criação de um novo site para a CMT, supostamente mais próximo e acessível para o utilizador final, a criação de um Balcão Único para o atendimento ao munícipea criação do balcão Via Única Simplifica, valência orientada para o atendimento a empresários e investidores com o objectivo de facilitar a relação entre estes e a gestão municipal, reduzindo, desta forma, tempos de espera e custos associados. Finalmente, é referido ainda o Projecto Educativo Digital, orientado para as escolas do concelho e focado em novas tecnologias de georeferenciação. É pelos menos isto que podemos ler no site da CMT.

Para além destes novos serviços, foi ainda apresentado um novo vídeo institucional, focado em potenciar exemplos de sucesso do concelho para, presumo, suportar uma operação de charme junto de potenciais investidores. O vídeo é interessante. Começa por explorar os exemplos de sucesso (desconhecia a origem dos carrinhos de compras), passa pela a concepção do novo logo e termina com uma curta intervenção do presidente, centrada essencialmente na ideia da necessidade de uniformizar uma imagem apelativa para o investimento externo, corporizada na imagem do diamante por lapidar. Sérgio Humberto refere-se ainda a outros aspectos técnicos mas a sua mensagem é essencialmente positiva e coloca a Trofa numa rota de atracção de investimento. Gostei muito mas obviamente não estou convencido, e tenho 3 motivos para tal.

O primeiro tem a ver com o facto de dispor ainda de pouca informação sobre quando teremos todos estes novos serviços em total funcionamento. Mais importante:exactamente em que é que eles consistem? São perguntas para as quais não é ainda possível encontrar resposta no site da CMT. Outra pergunta relacionada com este alargamento de serviços é se tal implicará expandir o staff da autarquia e, se sim, quais serão os critérios de contratação? Espero que não sejam semelhantes aos que noutros tempos se aplicavam à Trofáguas.

O segundo tem a ver com a forma como estes fundos foram gastos. Ao que pude apurar, estamos a falar de um projecto que recolheu aproximadamente 700 mil eurosprovenientes de fundos europeus. A quem foram adjudicados esses serviços? Foram ajustes directos? Abriram concursos? Os preços pagos estavam de acordo com o mercado ou teremos lá pelo meio algum orçamento estilo parquecom amigos e preços inexplicavelmente altos à mistura? É preciso esclarecer estes aspectos para não estarmos novamente debaixo da neblina da falta de transparência.

A terceira e última tem a ver com quem desenvolveu o novo logo/design. No vídeo, antes da declaração de Sérgio Humberto, que agradeceu o “trabalho dos técnicos“, há uma declaração da designer Liliana Viana que, presumo, terá liderado ou pelo menos integrado a equipa que desenvolveu a parte gráfica. Mas quem são estes técnicos? São técnicos da CMT ou técnicos de alguma empresa privada? É que eu recordo-me de muitas críticas de um passado recente em que sociais-democratas apontavam o dedo ao facto dos socialistas, no poder, recorrerem a empresas externas quando podiam fazer uso dos técnicos da autarquia. Afinal de contas, a que técnicos se refere o autarca?

Apesar destas dúvidas, e pelo que tenho assistido até aqui, estou com o feeling de que não vou ter nenhuma surpresa. A iniciativa parece-me muito positiva, gostei muito da ideia do logo com a adaptação do diamante em bruto às freguesias originais do concelho e toda a mensagem me parece muito positiva. Falta perceber se vai ou não funcionar e esta, por melhores intenções que existam, é a parte essencial deste projecto. Conseguirá a coligação lapidar o diamante em bruto e iniciar uma fase de expansão empresarial no concelho?

P.S. O meu coração postista torna-me suspeito para falar da cor azul. Mas convenhamos que os responsáveis políticos foram muito inteligentes em “azular” a comunicação da autarquia. Ou não fosse essa a cor da coligação Unidos pela Trofa. Ah! E do Correio da Trofa também…

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João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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