Um “elefante branco” chamado Aquaplace

por Silvéria Miranda 0

Não é segredo para ninguém que o Aquaplace é uma dor de cabeça para quem quer que esteja à frente do concelho da Trofa. Desde o seu início que muito ficou por pagar, que não há autossustentabilidade e, mais que isso, problemas vários vão surgindo uma vez por outra, um deles que nunca se resolve: uma infiltração que volta e meia leva a uns quantos baldes lá espalhados a apararem pingas que caem nem se sabe bem de onde. Qualquer pessoa que já tenha frequentado este espaço sabe do que eu estou a falar e não é à toa queaté a professora Isabel Cruz, em entrevista ao Correio da Trofa, o tenha apelidado de “elefante branco”. Mas adiante…

Ao longo dos vários anos em que tenho vindo a frequentar esta Academia Municipal (e atentem no termo “municipal”) tenho-me deparado com várias situações, de maior ou menor dimensão e importância, que merecem alguma atenção e que, sempre que me queixo, tenho ouvido sempre a mesma resposta: “ai e tal, não temos dinheiro, estamos em crise, etc…”. Cansei!

E eu, agora, respondo-vos de uma maneira muito simples: quem paga uma mensalidade (e as mensalidades do Aquaplace não são nada baixas para uma academia municipal – ver aqui e aquinão aguenta ouvir, constantemente, como resposta que não há dinheiro para mais. Porque nós, simplesmente, pagamos, e não temos culpa que a aquilo não seja rentável! E, também, pagamos o que nos é exigido por um serviço que nem sempre está a 100%! Para além de torneiras avariadas, chuveiros e secadores que nunca funcionam, sanitas sem tampa, um wc avariado há mais de um ano seguramente, cacifos que não dão para fechar e um ar condicionado constantemente desadequado às necessidades, ultimamente quase que temos de usar um veículo todo o terreno para conseguirmos estacionar o nosso carro no parque de estacionamento do Aquaplace, uma vez que as obras do “Parque” das Azenhas deixaram por lá uns quantos buracos (e o Aquaplace não tem culpa nenhuma disso, mas são os seus funcionários e utentes que têm de se aguentar com isso diariamente). Todas essas avarias (que acontecem até nas nossas casas, claro, mas que deviam ser rapidamente resolvidas) não nos matam, mas moem, e não se justificam quando o Aquaplace fecha durante o mês de Agosto (praticamente) inteiro para alegada manutenção! Num dos balneários, para terem água quente no chuveiro que querem usar, os utentes chegam mesmo a ter que andar constantemente a carregar num outro chuveiro, pois só estando pelo menos dois em funcionamento é que a água não sai fria. Se isto se justifica? Não!

Podem dizer-me, e bem, que os recursos humanos também se pagam. Quem não sai quase de rastos (no bom sentido) de uma aula de localizada do P. T., ou a sentir-me melhor depois das aulas de Pilates, ou mais bem-disposto depois das aulas de step (e podia continuar…)? Isso, nos tempos que correm, é um dos principais factores a ter em conta, mas não é o único. Noutros ginásios do concelho e arredores (estou a lembrar-me das piscinas de Ribeirão, por exemplo, que já levaram vários miúdos do Aquaplace para lá por terem mensalidades mais atractivas e onde alguns professores do Aquaplace também trabalham) praticam-se preços melhores. E muitos deles são privados. Ou, então, paga-se o mesmo para se poder fazer todas as modalidades e não apenas só uma. Dou-vos o exemplo do Bodytone, onde a taxa de inscrição (25€) vence a do Aquaplace (36,90€), tal como a taxa de renovação (10€ vs. 24,60€). No caso do Bodytone, quem quer frequentar o ginásio diariamente (excepto aos domingos e feriados, porque estão fechados, ao contrário do Aquaplace) paga 40€, ao contrário do Aquaplace, onde a mensalidade é de 43,05€. Claro que no Aquaplace, se formos sócios de alguma associação aqui da zona, por exemplo, esse valor é reduzido em 15% e a taxa de renovação fica igual a 0€ (a de inscrição já não tenho a certeza). Mas as quotas também se pagam. O Bodytone até tem uma opção que por 35€ permite ao utente usufruir do ginásio e das aulas de grupo entre as 7h30 e as 18h (aulas de grupo não serão assim tantas neste período) enquanto que no Aquaplace o cartão de dupla opção fica por 61,50€, ou 52,28€, vá, se o aluno frequentasse o espaço entre as 7h30 e as 17h ou fosse sócio de alguma instituição que permitisse o tal desconto de 15%. Mesmo tendo o Aquaplace maior oferta no período da manhã e aos sábados, até que ponto compensará tantos euros de diferença? E eu podia continuar com exemplos, mas já estaria a massacrar-vos e a fazer publicidade gratuita…

Para que não me interpretem mal, digo-vos sinceramente que o Aquaplace tem tudo para ser bom, caso contrário eu não continuaria lá ano após ano. Pode mesmo vir a ser o melhor da região, arrisco-me a dizê-lo. Tem bons professores, bons equipamentos, um óptimo jardim exterior (e que podia ser mais utilizado), alunos que se mantém há vários anos (mas que estão cada vez mais insatisfeitos, e eu sei disso porque estou “nos bastidores”), tem boas condições de higiene (e quanto não tem, a culpa é de alguns utentes, que não sabem respeitar o que é de todos) e assim que o imbróglio do Parque das Azenhas estiver resolvido ainda terá mais isso a seu favor. Porém, os desleixos na manutenção e os preços que não vão de encontro a essa falta de zelo têm vindo a afastar clientes.

Digo frequentemente que este espaço precisa de algumas alterações. De inovação, diria. E não, não estou a falar de despedir ninguém porque apoiou o partido A ou B, agora ou no passado, mas sim de rentabilizar mais e melhor os diversos recursos humanos e materiais que existem à disposição. Por isso mesmo, por achar que é possível e porque, curiosamente, o nosso actual presidente da CMT é da área do desporto, este texto será também enviado para ele. Provavelmente, não disse aqui nada que ele já não saiba. Tal como ele sabe que a burocracia que ele tanto diz que quer combater também se aplica neste caso! Contudo, nunca é de mais reforça-lo e pedir a vossa opinião também, se tiverem algo mais a acrescentar.

Silvéria Miranda

Sempre tive como velha máxima que os factos são sagrados e as opiniões livres. Foi com essa premissa que criámos este espaço e é por ela que me rejo em cada palavra que aqui escrevo. Sem qualquer interesse que não o de ajudar a construir uma Trofa melhor, mais justa e apelativa, digo orgulhosamente que sou tanto da Trofa como a Trofa é minha!

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