E que o sonho comece a passar à realidade…

por Silvéria Miranda 0

Foi com grande satisfação que, no passado dia 26 de Outubro, fiz parte da “casa cheia”, que é como quem diz, da multidão que se reuniu nas antigas Instalações da Indústria Alimentar Trofense. Centenas de trofenses, e sem oferta de porco no espeto, juntaram-se naquela que será a “nossa” futura casa, depois de duas décadas sem um lar, para assistir à apresentação do projeto do nosso futuro edifício dos Paços do Concelho.

O projeto apresentado, da autoria do Arquiteto José Carlos Nunes Oliveira – trofense, por sinal… aqui não foi preciso ir a Viseu ou a Portimão, como no caso da Loja de Turismo –, será agora alvo de um concurso público internacional e estima-se que venha a estar concluído no primeiro semestre de 2021. Nada de surpreendente, portanto, uma vez que as próximas eleições autárquicas decorrerão precisamente lá para o final do verão de 2021. Não me espanta – e eu provavelmente faria o mesmo se fosse autarca – que um político queira inaugurar a obra em relação à qual é o principal responsável (pelo menos em teoria). Não faltam aí casos, até mesmo na Trofa, de obras começadas por X e inauguradas por Y…

Mas adiante. A casa estava cheia, os capacetes oferecidos como brinde foram enfiados (antes capacetes que barretes), e a plateia assistiu com a atenção à apresentação típica dos técnicos que pouco nos esclarecem, seguida de um vídeo bem mais adaptado a leigos e bem mais elucidativo (já agora, retenham na vossa memória que é apenas um vídeo… não retrata com 100% de clareza aquilo que veremos depois na realidade… para melhor ou para pior).

Como o “nosso” (?) Presidente referiu, e bem, somos o único de 308 municípios sem casa própria. Eu acrescentaria que isso nos dá até responsabilidades acrescidas, porque nos “obriga”, depois de tantos anos a cozinhar sonhos, ideias e projetos, a ter um edifício moderno, eficiente e eficaz, amigo do ambiente, capaz de albergar o maior número de serviços possíveis, caraterísticas que provavelmente serão obrigatórias tendo em conta que estamos a falar de um projeto financiado.

Os quase nove milhões de euros que serão gastos, a julgar pelo projeto apresentado, refletir-se-ão num edifício que me agrada bastante, em linhas retas, cheio de luminosidade, aparentemente grande o suficiente para deixar a “casinha” que nos serve até hoje bem arrumada a um canto. Ela não deixará saudades.

Não sei se agradará a todos, nem sei bem o que seria isso do “agradar a todos”, mas acabará por ser um edifício remodelado, sendo menos um “mamarracho” no centro da cidade e, quem sabe, dará o impulso necessário para que outros edifícios abandonados da cidade da Trofa sejam recuperados e tragam assim uma nova centralidade a um centro estagnado durante muito tempo!

Contudo, e os problemas da Trofa vão sempre todos dar ao mesmo, por muito que se procure juntar Paços do Concelho, Parques Dr. Lima Carneiro/Senhora da Dores, Alameda da Estação e “Parque” das Azenhas, o trânsito no centro é sempre caótico, simplesmente não tem por onde fluir, e quantos mais serviços centrarmos num centro desorganizado pior… Desafios que o Executivo de Sérgio Humberto terá de resolver e, aposto com vocês, daqui a 2/3 anos veremos o “nosso” Presidente bem mais esgotado e envelhecido, ou não estivesse ele numa corrida contra o tempo.

Para já, além de vos dizer que o projeto apresentado me agrada bastante, recordo que a realização da sua apresentação, embora com algumas falhas, feita no próprio edifício que virá a ser recuperado foi muito bem pensada… mas fez com que centenas de trofenses presentes criassem na sua mente um paralelismo entre o vídeo apresentado e aquilo que esperam na realidade, aquilo que visualizaram no próprio local. A

As expectativas são altas. Para já, apenas me resta dar os parabéns ao José Carlos e a todos aqueles que de alguma forma, ao longo dos anos, deram pequenos passos para que o grande seja possível. Não merecemos menos que isto!

 

Imagem via Facebook Câmara Municipal da Trofa

Silvéria Miranda

Sempre tive como velha máxima que os factos são sagrados e as opiniões livres. Foi com essa premissa que criámos este espaço e é por ela que me rejo em cada palavra que aqui escrevo. Sem qualquer interesse que não o de ajudar a construir uma Trofa melhor, mais justa e apelativa, digo orgulhosamente que sou tanto da Trofa como a Trofa é minha!

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